Não é modismo: os produtos e hábitos de beleza sul-coreanos conquistaram o público brasileiro de vez. Rotina de skincare, máscaras de hidratação e outros produtos com tecnologia coreana viraram uma febre nas redes sociais, especialmente entre jovens e fãs dos seriados sul-coreanos.
O mercado, é claro, acompanhou a tendência: segundo o Banco de Dados de Estatísticas do Comércio de Mercadorias de Nações Unidas (UN Comtrade), a importação de produtos para cuidado da pele feitos na Coreia do Sul pelo Brasil cresceu 57% em 2024, se comparado a 2023.
No Brasil, marcas gigantes de cosméticos começam a investir no K-beauty, termo usado para descrever os produtos e hábitos de beleza coreanos. A Océane, marca de maquiagem brasileira, por exemplo, já tem linhas de cuidados com a pele desenvolvidas no país asiático desde 2020. Recentemente, a Cimed também anunciou sua nova marca de cosméticos desenvolvida com tecnologia sul-coreana, com previsão de lançamento em 2026.
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Mas o que torna K-beauty tão desejado? Para a dermatologista Fabíola Tasca, o segredo está na cultura de cuidados com a pele presente por lá: “para os coreanos, cuidar da pele não é futilidade, é um sinal de saúde e qualidade de vida. Lá, eles têm muita disciplina e constância nesse quesito”.
O hábito, unido às novas tecnologias e ao incentivo do governo sul-coreano em promover os produtos internacionalmente, fez o K-beauty se popularizar não só no Brasil, mas em diversas partes do mundo.
A seguir, a dermatologista Fabíola Tasca, que esteve no último Korea Derma, um dos maiores congressos de dermatologia da Coreia do Sul, fala sobre os tratamentos já consagrados e as novas tendências que estão por vir.
Skincare + produtos multifuncionais
O skincare, termo em inglês para nomear a rotina de cuidados com a pele, talvez seja a principal influência sul-coreana que já se estabeleceu no Brasil, segundo a dermatologista Fabíola Tasca: “o hábito de fazer skincare de manhã e à noite é muito presente na Coreia do Sul e se popularizou no Brasil também, especialmente depois da pandemia”.
Até pouco tempo, a rotina de cuidados incluía diversos passos, entre limpeza, tonificação, esfoliação, produtos hidratantes e protetor solar. Mas, atualmente, essa rotina tem menos etapas. E um dos motivos é o surgimento de produtos multifuncionais. “O mundo está caminhando para um caminho mais prático, por isso o skincare coreano está se tornando mais minimalista. Uma das tendências é a criação de produtos e maquiagens que combinam a estética e a proteção da pele com alta tecnologia, como bases hidratantes com filtro solar”, exemplifica Fabiana.
A especialista destaca também a composição tecnológica dos cosméticos coreanos. “Hoje, praticamente todas as linhas de skincare contém quatro substâncias-chave: o PDRN (derivado do DNA do salmão), os exossomos (substâncias que atuam na regeneração celular), a centella asiática e o ácido hialurônico. Já as linhas mais premium incluem o ginseng, um dos ingredientes mais luxuosos e eficazes do mercado”, explica. Além de hidratar, em geral, essas substâncias são conhecidas por regenerar a pele e melhorar a firmeza e a elasticidade do tecido.
Máscaras de hidratação
A máscara de hidratação facial é outra tendência sul-coreana que virou moda no Brasil. Elas são vendidas de diversas formas, como em creme, gel ou em folhas, prometendo hidratação e outros benefícios para a pele, como ação antioxidante, anti-inflamatória e calmante.
A novidade é que elas devem oferecer cada vez mais benefícios, segundo a dermatologista. “As máscaras mais sofisticadas podem ser drenantes e até mesmo dar um aspecto de lifting no rosto. No Brasil, ainda falta essa diversidade de marcas e opções de máscaras”, pontua Fabiana Tasca.
Brumas de hidratação
A bruma facial é um produto em spray à base de água que proporciona hidratação e uma sensação de frescor para a pele. O produto pode ser aplicado em qualquer etapa do skincare e, ao longo do dia, por cima da maquiagem.
Apesar desse tipo de produto já existir no Brasil, ele ainda não é muito popular — o que deve mudar nos próximos anos. “As brumas são águas enriquecidas com substâncias hidratantes, antioxidantes e anti-idade que são muito usadas para manter a hidratação e o viço da pele durante o dia. É uma tendência que deve chegar no Brasil ainda com mais variedade de preços e aditivos”, aposta a dermatologista.
Estímulo de colágeno
Outra novidade coreana são os procedimentos e as novas tecnologias de estímulo de colágeno, como o ultrassom microfocado e a radiofrequência monopolar, tratamentos estéticos com função de reduzir a flacidez facial e os sinais de envelhecimento.
“Na Coreia, eles enxergam o envelhecimento como algo natural, mas que pode ser amenizado com cuidados diários e procedimentos. Então os consultórios de estética médica têm investido em lasers menos agressivos e bioestimuladores de colágeno com ativos regeneradores”, afirma a especialista.
Para que esses produtos possam ser usados no Brasil, no entanto, precisam ser adaptados à diversidade do país. “É importante que exista um treinamento (de profissionais) para ajustar os parâmetros dos aparelhos para a pele brasileira. Essa integração vai possibilitar que a gente consiga aproveitar e, inclusive, aprimorar a tecnologia coreana”, diz Fabiana.
Aparelhos caseiros de cuidados com a pele
Os coreanos apostam também em gadgets além dos consultórios de estética. Chamados de “home devices”, a ideia é que esses aparelhos utilizem tecnologias como ultrassom, laser de baixa intensidade, rolinho de massagem, radiofrequência e infravermelho para potencializar a penetração dos cosméticos e possam ser aplicados pelos próprios consumidores, em casa. Será que essa moda também vai chegar por aqui?