O que é acatisia, condição que afastou Monica Iozzi de atuação em programa da Globo

Atriz contou nas redes sociais que ficou uma semana internada após reação a medicamento; especialistas explicam o que é a acatisia

Monica Iozzi
Monica Iozzi Foto: Reprodução/Instagram

A atriz e apresentadora Monica Iozzi, 44 anos, usou as redes sociais para contar aos seguidores que passou a última semana internada após sofrer uma reação adversa a um medicamento, que fez com que seu organismo não reagisse bem ao fármaco. Em um vídeo publicado online, ela comentou que inicialmente acreditou ter tido acasia ou afasia, mas explicou que, na verdade, enfrentou um quadro de acatisia.

“Queridos e queridas, estou gravando este vídeo para esclarecer algumas coisas. Estou internada há uma semana. Fui internada primeiro no Hospital Albert Einstein e depois transferida para o Oswaldo Cruz. Felizmente, hoje é meu último dia aqui. Agora está tudo bem, tudo bem mesmo. Tive um quadro de acasia, afasia… não sei ao certo, é quando você tem uma reação a um remédio e o corpo não responde direito. É uma sensação muito estranha. Depois pesquisem no Google para entender melhor”, disse ela na publicação.

Monica Iozzi recebeu alta do Hospital Oswaldo Cruz, em São Paulo, na manhã de terça-feira, 3, após permanecer internada por cerca de uma semana. Já em casa, a artista agradeceu o carinho e as mensagens de apoio enviadas pelos fãs depois de compartilhar detalhes sobre seu estado de saúde.

“Primeiro dia em casa. Obrigada pela chuva de carinho, pessoal!”, escreveu ela ao publicar uma foto no feed do Instagram nesta quarta-feira, 4.

Diante da repercussão do caso, a reportagem da IstoÉ Saúde ouviu especialistas para explicar o que é a acatisia, condição mencionada pela atriz. O distúrbio do movimento é frequentemente associado ao uso de determinados medicamentos, como antipsicóticos e antieméticos, e pode provocar intensa agitação motora, além de uma sensação de inquietação constante.

A acatisia é classificada como uma síndrome neuropsiquiátrica caracterizada pela dificuldade de controlar os movimentos e por uma necessidade intensa e incontrolável de se mexer. Entre os sinais mais comuns estão agitação persistente e movimentos repetitivos e involuntários, como levantar e sentar várias vezes, caminhar sem parar, pular, mexer constantemente os braços ou manipular objetos de forma contínua.

Segundo a Dra. Simone Amorim, presidente da SBNI e neurofisiologista clínica, o quadro tem origem em alterações neuroquímicas no cérebro. “A acatisia ocorre por um desequilíbrio bioquímico, especialmente envolvendo neurotransmissores que regulam o movimento, como a dopamina. Esse desarranjo compromete o controle motor e provoca uma sensação interna de inquietação extremamente desconfortável, levando o paciente a se movimentar o tempo todo”, explica.

A especialista destaca que o problema costuma estar relacionado ao uso de medicamentos antipsicóticos, que podem interferir no sistema dopaminérgico cerebral. Entre os fármacos associados estão o haloperidol, a risperidona e alguns medicamentos usados para controlar náuseas e vômitos. Substâncias como metoclopramida e bromoprida também podem desencadear o quadro.

Esses remédios podem provocar alterações conhecidas como sintomas extrapiramidais, que incluem diferentes tipos de distúrbios do movimento.

“Frequentemente observamos acatisia em pacientes com condições psiquiátricas, como esquizofrenia ou transtorno do espectro autista, que utilizam essas medicações na fase adulta. Trata-se de uma reação medicamentosa que precisa ser identificada rapidamente”, alerta Simone.

Embora existam medicamentos que ajudam a controlar os sintomas — como alguns antidepressivos, vitaminas específicas, betabloqueadores e agentes anticolinérgicos —, a principal estratégia de tratamento é identificar e suspender o fármaco responsável, com redução gradual da dose quando necessário.

“A conduta mais eficaz é reconhecer que se trata de um efeito adverso medicamentoso. A retirada ou o ajuste da medicação causadora é fundamental para a melhora do quadro. As demais medicações funcionam como suporte para aliviar os sintomas”, afirma a especialista.

A identificação precoce é considerada essencial para evitar sofrimento prolongado e garantir que o paciente receba o manejo adequado.

O psiquiatra Adiel Rios reforça que, quando o problema é reconhecido rapidamente, as chances de recuperação são boas. “Quando identificada cedo e tratada corretamente, o prognóstico costuma ser favorável. A maioria das pessoas apresenta melhora significativa após o ajuste terapêutico. Quando ignorada, porém, pode gerar sofrimento intenso, abandono do tratamento e até risco comportamental. O relato de Mônica Iozzi trouxe visibilidade a algo que muitas pessoas enfrentam em silêncio. Informação correta ajuda a reduzir o estigma e permite que pacientes e familiares compreendam melhor o que está acontecendo”, conclui.