A air fryer deixou de ser um item de luxo para se tornar o epicentro da culinária doméstica brasileira. Dados do levantamento Pesquisas do Ano 2025, do Google, revelam que seis das dez receitas mais buscadas no país envolvem o uso do aparelho — de batatas crocantes a pudins. No entanto, a popularidade trouxe consigo um fantasma tecnológico comum: a acusação de que o equipamento seria cancerígeno, ecoando os temores que cercaram o micro-ondas nos anos 90.
A ciência, contudo, é direta: a air fryer não é inerentemente perigosa. O risco reside menos no aparelho e mais na química dos alimentos quando submetidos a altas temperaturas. O mecanismo de circulação de ar quente em alta velocidade é, essencialmente, um forno de convecção ultraeficiente. O ponto de atenção para a saúde atende pelo nome de acrilamida.
Links relacionados:
Ciência ou superstição: beber água quente pela manhã faz bem para a saúde?
12 erros comuns que impedem o emagrecimento: saiba como corrigi-los hoje mesmo
O enigma da acrilamida: tempo e temperatura
A acrilamida é uma substância formada pela reação entre aminoácidos e carboidratos (reação de Maillard) quando alimentos ricos em amido, como pães e batatas, são aquecidos acima de 120°C. Um estudo publicado na revista Frontiers in Nutrition comparou diferentes métodos de fritura e notou que a air fryer pode atingir picos de até 229°C, superando o óleo de imersão, que raramente ultrapassa os 190°C.
Embora o estudo tenha registrado níveis ligeiramente maiores de acrilamida na air fryer, a diferença não foi estatisticamente significativa em relação à fritura convencional. O segredo para mitigar o risco é visual. “O alimento deve ficar dourado, nunca marrom ou queimado”, orienta a nutricionista Emanoelle Araújo, do Hospital Israelita Albert Einstein.
Dicas práticas de segurança:
A regra do dourado: evite o aspecto “tostado” escuro em batatas e pães.
O truque do molho: deixar a batata de molho em água por 10 minutos antes de assar reduz drasticamente a formação de acrilamida.
Ajuste o termostato: prefira cozinhar entre 160°C e 180°C em vez da potência máxima de 200°C para carboidratos.
Aliada do emagrecimento, mas com ressalvas
Do ponto de vista calórico, a air fryer é imbatível. Ela permite uma redução de até 80% das calorias em comparação à fritura por imersão. Enquanto 100g de batata frita no óleo carregam até 20g de gordura, a versão no ar quente mantém esse valor abaixo de 5g. Além disso, a textura crocante tem se mostrado uma excelente estratégia para aumentar o consumo de vegetais como brócolis, quiabo e abobrinha entre crianças e adultos seletivos.
Entretanto, o uso de ultraprocessados (nuggets e batatas congeladas) anula parte dos benefícios. “Esses produtos já vêm pré-fritos de fábrica com gorduras trans e conservantes. A air fryer apenas aquece essa gordura já existente”, alerta Araújo.
Manutenção e materiais: o perigo no cesto
A segurança também depende do estado do aparelho. Cestos com revestimento antiaderente (PTFE/Teflon) descascado podem liberar partículas indesejadas no alimento. Outro risco é o acúmulo de gordura residual no fundo da gaveta: quando reaquecida repetidamente, essa gordura pode oxidar e gerar compostos tóxicos. A limpeza rigorosa após cada uso não é apenas uma questão de higiene, mas de toxicologia alimentar.
Estabilidade de óleos na air fryer
Se você optar por pincelar um fio de óleo para garantir a crocância dos alimentos, escolha opções que suportem o calor:
| Tipo de Óleo | Ponto de Fumaça (Estabilidade) | Recomendação |
| Óleo de Abacate | Até 270°C | O mais seguro para altas temperaturas. |
| Azeite de Oliva | Até 190°C | Excelente para vegetais e carnes rápidas. |
| Óleo de Coco | Resistente | Boa estabilidade, mas altera o sabor. |
| Soja/Girassol | Médio | Oxidam mais facilmente; use com moderação. |
Com informações da Agência Einstein