Entenda a cirurgia que livrou Ana Paula Padrão de uma década de dores no ciático

Ortopedista explica por que dores crônicas no nervo ciático podem durar anos e quando a cirurgia se torna necessária

A apresentadora Ana Paula Padrão
A apresentadora Ana Paula Padrão Foto: Reprodução/Instagram

A jornalista e apresentadora Ana Paula Padrão, de 60 anos, chamou atenção nas redes sociais ao revelar que conviveu por cerca de dez anos com dores intensas no nervo ciático. A lembrança surgiu durante a participação na chamada “trend dos 10 anos”, em que revisitou imagens de 2016, ano em que passou por uma cirurgia de fixação da coluna e, segundo ela, deixou de sentir dor.

Em vídeo publicado nas redes sociais, Ana Paula contou que já havia passado por uma cirurgia anterior, em 2012, na região lombar, envolvendo as vértebras L4 e L5. O procedimento, descrito por ela como uma “limpeza”, não trouxe alívio definitivo. “Essa cirurgia não adiantou muito, foi só uma limpeza e voltou tudo. Em 2016, eu parafusei a base da coluna e foi o ano em que parei de sentir dor”, afirmou.

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Em entrevista à IstoÉ, a médica ortopedista Ingrid de Araújo e Silva, do Hospital Mater Dei Goiânia, explicou que dores crônicas no nervo ciático costumam estar associadas a compressões persistentes da estrutura nervosa. “As dores geralmente são causadas por hérnia de disco, artrose da coluna, estenose do canal vertebral ou instabilidade vertebral. Quando a compressão não é completamente resolvida, ocorre uma irritação contínua do nervo, o que pode levar à cronificação da dor, com alterações inflamatórias e neurológicas que se mantêm por anos”, disse a especialista.

Segundo Ingrid, quadros prolongados de dor no ciático não são incomuns quando o fator compressivo permanece ativo. “Mesmo após algum alívio inicial, a compressão residual pode manter o nervo inflamado, fazendo com que o paciente continue sentindo dor por longos períodos”, explicou. A médica destacou que a região entre as vértebras L4 e L5 é particularmente vulnerável, devido à sobrecarga mecânica sofrida ao longo da vida. “Postura inadequada, sedentarismo, envelhecimento, excesso de peso e movimentos repetitivos aceleram o desgaste do disco e das articulações, tornando essa área especialmente suscetível à compressão do nervo ciático”, afirmou.

Ana Paula também mencionou que 2016 foi um ano marcante profissionalmente, com a consolidação do MasterChef Brasil, programa que apresentava na época. Para ela, o período de recuperação da cirurgia se associou a um momento de alta visibilidade na carreira.

A especialista ainda explicou a diferença entre os tipos de cirurgia lombar. “A cirurgia de ‘limpeza’ é menos invasiva e indicada quando há compressão localizada do nervo, sem instabilidade da coluna. Já a fixação da coluna com parafusos é indicada quando existe instabilidade vertebral, degeneração avançada ou falha de cirurgias prévias. O objetivo é estabilizar a coluna e evitar novas compressões do nervo”, disse Ingrid de Araújo e Silva.

Ela reforçou que sinais como persistência ou piora da dor, irradiação para a perna, perda de força, formigamento progressivo ou limitação funcional podem indicar a necessidade de nova avaliação médica. Além disso, a recuperação após fixação exige reabilitação estruturada, fortalecimento muscular, controle do peso e correção postural. “É essencial respeitar o tempo biológico de cicatrização e seguir as orientações médicas para reduzir o risco de retorno da dor”, concluiu.