A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou na segunda-feira, 12, o uso do lenacapavir injetável como método de profilaxia pré-exposição (PrEP) contra o HIV-1. A decisão autoriza que indivíduos não infectados utilizem o medicamento para impedir a contaminação pelo vírus. Comercializado pela Gilead Sciences sob o nome Sunlenca, o fármaco destaca-se pela alta eficácia e pela conveniência posológica, exigindo apenas duas aplicações subcutâneas anuais.
A Anvisa autorizou o lenacapavir para profilaxia pré-exposição (PrEP);
O medicamento demonstrou 100% de eficácia em mulheres cisgênero em ensaios clínicos;
A aplicação é semestral, facilitando a adesão em comparação aos comprimidos diários;
Uso é indicado para adultos e adolescentes acima de 12 anos com peso mínimo de 35 kg.
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A aprovação baseia-se em estudos clínicos que apontaram resultados robustos. Em mulheres cisgênero, a eficácia na redução da incidência do HIV-1 foi de 100%. Em outros grupos, o fármaco apresentou desempenho 89% superior à PrEP oral de uso diário. Segundo a Anvisa, o regime semestral supera desafios de adesão comuns em esquemas que dependem da ingestão cotidiana de comprimidos, como esquecimentos ou rotinas irregulares.
Mecanismo de ação e tecnologia
O lenacapavir é um antirretroviral de longa ação que atua no bloqueio do capsídeo do vírus — a camada proteica que protege o material genético do HIV. Ao atingir essa estrutura, o medicamento interfere em múltiplas etapas do ciclo de vida viral, impedindo que o vírus se multiplique e se estabeleça no organismo.
Diferente das vacinas convencionais, o fármaco não gera memória imunológica, mas é considerado por especialistas como uma das ferramentas mais potentes já desenvolvidas para conter a pandemia de HIV. O medicamento já era utilizado anteriormente para o tratamento de pacientes multirresistentes, mas agora expande sua atuação para o campo da prevenção.
Protocolo de uso e disponibilidade
A indicação clínica é voltada a adultos e adolescentes (a partir de 12 anos e 35 kg) que apresentem maior vulnerabilidade ao vírus. Antes de iniciar o protocolo, é mandatória a realização de testes laboratoriais para confirmar o status negativo para HIV-1. A aplicação deve ser realizada exclusivamente por profissionais de saúde na região do abdômen.
Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS) já oferece a PrEP em comprimidos e o cabotegravir injetável (aprovado em 2023 com administração a cada oito semanas). O lenacapavir representa um avanço em praticidade por permitir um intervalo de seis meses entre as doses.
Próximos passos para o mercado brasileiro
Apesar do aval da Anvisa, o Sunlenca ainda não está disponível para comercialização imediata ou distribuição pública. O fármaco deve ser submetido à Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) para a definição do teto de preço.
Para que seja ofertado gratuitamente na rede pública, o medicamento necessita da avaliação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e posterior homologação do Ministério da Saúde. Especialistas reforçam que a nova tecnologia não substitui o uso de preservativos, mas integra uma estratégia de prevenção combinada.