Apneia e DPOC: entenda a combinação que ameaça mobilidade de milhares de brasileiros

Estudo apoiado pela Fapesp revela que a combinação de obstrução pulmonar e paradas respiratórias noturnas reduz drasticamente a massa magra; descoberta alerta para a necessidade de tratamento conjunto para evitar a incapacidade física

Sono: mulher com equipamento de combate ao ronco
Foto: Freepik

Pesquisadores da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) identificaram que a coexistência da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) e da Apneia Obstrutiva do Sono (AOS) — condição conhecida como Síndrome de Sobreposição — agrava significativamente a perda de massa e força muscular. A DPOC, geralmente causada pelo tabagismo, já é caracterizada por uma inflamação sistêmica que consome os músculos, mas o estudo demonstra que a privação de oxigênio durante o sono atua como um acelerador desse processo degenerativo.

A investigação comparou pacientes que possuem apenas DPOC com aqueles que sofrem das duas condições. Os resultados mostraram que o grupo com a sobreposição apresenta menor tolerância ao exercício e uma redução mais acentuada na musculatura esquelética, o que impacta diretamente a autonomia e a qualidade de vida.

  • Hipóxia noturna: a queda repetida dos níveis de oxigênio no sangue durante a noite (hipóxia) gera estresse oxidativo, danificando as fibras musculares.

  • Inflamação potencializada: a união das duas doenças cria um ambiente inflamatório mais severo do que cada uma isoladamente, facilitando a degradação proteica.

  • Impacto na mobilidade: pacientes com a síndrome de sobreposição cansam-se mais rápido, o que leva ao sedentarismo e, consequentemente, a uma perda muscular ainda maior.

  • Risco silencioso: muitos pacientes com DPOC não sabem que têm apneia, perdendo a oportunidade de um tratamento que poderia preservar sua capacidade física.


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A engenharia da perda muscular

Para entender como funciona esse impacto, é preciso olhar para a biologia celular. Enquanto a DPOC dificulta a troca gasosa constante, a apneia do sono interrompe o fluxo de ar de forma intermitente durante o descanso. Esse “sobe e desce” nos níveis de oxigênio impede que os músculos se recuperem adequadamente, promovendo a atrofia mesmo em pacientes que tentam manter uma rotina ativa.

A descoberta da Unifesp sugere que o tratamento da DPOC deve ser acompanhado de uma avaliação rigorosa da qualidade do sono. O uso de dispositivos como o CPAP para tratar a apneia pode ser uma estratégia vital não apenas para o descanso, mas para a preservação da força física do paciente.

Com informações da Agência Fapesp