O movimento wellness, tendência global que promove o bem-estar físico, mental e emocional por meio de hábitos saudáveis, autocuidado e equilíbrio, tem mudado a forma como as pessoas enxergam beleza e saúde. Essa mudança também se reflete diretamente nos cuidados com a pele.
Para a médica dermatologista Dra. Fabíola Tasca*, o movimento de bem-estar conversa com a ideia de a pessoa cuidar mais de si, alinhando estética e saúde. Segundo a especialista, a dermatologia acompanha essa transformação ao priorizar a qualidade da pele, com foco em resultados naturais. Hoje a busca é por melhorar a qualidade da pele e deixá-la bonita sem exageros, estimulando o próprio colágeno do organismo.
A chamada pele glow — viçosa, luminosa e com aspecto saudável — tornou-se símbolo dessa nova fase. “Uma pele mais bem cuidada passa a impressão de que a pessoa está saudável como um todo. Já uma pele mais opaca e envelhecida pode indicar que o organismo não está tão bem”, afirma.
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Dentro desse contexto, o autocuidado ganha protagonismo. Para a dermatologista, cuidar da pele de forma consciente significa ter constância e estratégia. Isso envolve manter uma rotina de skincare bem estabelecida, com poucos passos, mas eficientes. Limpeza diária adequada, uso de filtro solar com no mínimo fator 30 e proteção contra raios UVA e UVB, além de cremes noturnos com ativos específicos, fazem parte desse protocolo individualizado.
Nos consultórios, a evolução tecnológica também acompanha o wellness. Segundo a especialista, tecnologias como laser e aparelhos de radiofrequência, muitos vindos da Coreia e inspirados na tendência da glass skin, hoje são menos agressivos do que no passado. Eles rejuvenescem a pele ao estimular colágeno e as próprias células do organismo.
A médica reforça ainda que a pele é um espelho do estilo de vida e da saúde emocional. Sono inadequado, estresse e alimentação com alto índice glicêmico podem agravar condições como rosácea, melasma e dermatite seborreica. “Existe uma grande conexão”, pontua a dermatologista, que também alerta para o impacto emocional na busca por procedimentos estéticos.
“Às vezes a pessoa não está bem internamente e procura mudar algo na estética quando a questão é emocional”, observa.
O wellness também mudou a forma como as pessoas encaram os procedimentos estéticos. Segundo ela, hoje o luxo está associado ao bem-estar e à naturalidade, com uma aparência leve e saudável.
Para a médica, o limite entre cuidado e exagero é delicado. “É muito importante que o paciente escolha o médico com cautela. O que diferencia o profissional é a capacidade de dizer não”, garante. Ela explica que o excesso de preenchimentos pode gerar um aspecto artificial e até envelhecido. Em alguns casos, segundo a especialista, pode ser mais indicado recorrer a uma cirurgia plástica do que continuar acumulando procedimentos.
Ainda assim, ela ressalta que a vaidade pode ser positiva quando existe equilíbrio. “Existe uma vaidade benéfica, quando a pessoa quer se cuidar com naturalidade. Mas quando começa a querer mudar demais e nunca se gostar, é preciso atenção”, conclui.