Café reduz risco de demência em 18%, diz estudo

Pesquisa de Harvard e do MIT com 130 mil pessoas revela que o consumo regular de café ou chá com cafeína atua como um escudo cerebral, combatendo processos ligados ao Alzheimer e ao declínio cognitivo

Mulher toma uma xícara de café - Saúde
Foto: Unsplash

O cafezinho de todas as manhãs acaba de ganhar um novo e poderoso aval científico. Um estudo de proporções massivas, conduzido por pesquisadores da Escola de Medicina de Harvard e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), e publicado na prestigiada revista JAMA, confirma que o consumo diário de café e chá está diretamente associado a um menor risco de desenvolver demência. A pesquisa é um marco pela sua longevidade e amostragem, oferecendo uma das evidências mais robustas já registradas sobre o tema.

O poder das xícaras: quem consome de duas a três xícaras de café (237 ml cada) por dia apresenta um risco 18% menor de demência.

  • Aliado do chá: o consumo de uma a duas xícaras de chá diariamente também se mostrou benéfico, com uma redução de 14% no risco.

  • Memória e atenção: além de prevenir doenças graves, as bebidas melhoraram o desempenho em testes objetivos de atenção e memória verbal.

  • O fator cafeína: os benefícios foram observados apenas nas versões com cafeína, sugerindo que o composto é essencial para a proteção neural.


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Como o café protege o cérebro?

A ciência por trás desse efeito protetor envolve mecanismos complexos de “limpeza” e comunicação cerebral. A cafeína atua bloqueando os receptores de adenosina (A1 e A2A), o que ajuda a manter a conexão entre os neurônios ativa e eficiente. Mais importante ainda, o estudo indica que a cafeína reduz o acúmulo da proteína beta-amiloide, considerada o principal vilão no desenvolvimento do Mal de Alzheimer.

Além disso, a bebida possui propriedades anti-inflamatórias e melhora a sensibilidade à insulina. Como o diabetes tipo 2 é um fator de risco conhecido para a demência, o café acaba agindo em múltiplas frentes de proteção.

Não é apenas a cafeína: o “efeito comitiva”

O Dr. Luiz Antônio Machado César, cardiologista do InCor (USP), ressalta que o segredo não está apenas na cafeína isolada. O café é um coquetel de compostos fenólicos, ácido clorogênico e polifenóis com ação antioxidante.

“Não adianta tomar apenas cápsulas de cafeína. É a combinação dos compostos do café que gera esse efeito neuroprotetor e estimulante para o cérebro.”

Dr. Luiz Antônio Machado César.

No caso do chá, a presença de catequinas e da L-teanina oferece benefícios vasculares e promove um estado de relaxamento que protege as células nervosas contra o estresse oxidativo.

Metodologia e cautela

O diferencial deste estudo é o seu rigor metodológico. Os pesquisadores acompanharam 131.821 profissionais de saúde ao longo de quase 40 anos. Foram controlados diversos fatores, como tabagismo, dieta e genética, para isolar o efeito das bebidas.

Entretanto, Daniel Wang, autor sênior do estudo, faz uma ressalva importante: o café é apenas “uma peça do quebra-cabeça”. Ele não substitui atividades físicas, uma dieta equilibrada e o controle de doenças crônicas na prevenção da demência. Outro ponto curioso é o café descafeinado: o estudo notou que quem opta por ele muitas vezes já possui condições pré-existentes, como ansiedade ou insônia, que podem estar ligadas ao declínio cognitivo de forma independente.