Pesquisadores da Universidade de São Paulo (USP), em colaboração com instituições internacionais, identificaram uma proteína que desempenha um papel fundamental na disseminação do câncer de pâncreas pelos nervos. O estudo revela que a glicoproteína associada à mielina (MAG) funciona como uma espécie de “cola”, facilitando o processo conhecido como invasão neural, uma das principais características da agressividade desse tipo de tumor.
A proteína MAG facilita a migração de células tumorais para o sistema nervoso.
A invasão neural ocorre em cerca de 90% dos pacientes com câncer de pâncreas.
A descoberta pode viabilizar o desenvolvimento de terapias para bloquear o avanço da doença.
O estudo foi conduzido por pesquisadores da USP e publicado na revista científica Gastroenterology.
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De acordo com o oncologista Tiago Biachi de Castro, um dos autores do estudo, a interação entre as células cancerígenas e os nervos é um fator determinante para o prognóstico negativo da doença. “A invasão neural não é apenas um marcador de agressividade, mas um mecanismo ativo que o tumor utiliza para sobreviver e se espalhar”, afirma o pesquisador.
O mecanismo da invasão neural
Diferente de outros tumores que se disseminam preferencialmente por meio de vasos sanguíneos ou linfáticos, o câncer de pâncreas demonstra uma afinidade específica pelos nervos. Esse processo é responsável pelas dores intensas relatadas pelos pacientes e pela alta taxa de recorrência após intervenções cirúrgicas.
“Identificar a proteína MAG como a mediadora desse contato abre uma janela de oportunidade para o desenvolvimento de fármacos que interrompam essa via de comunicação.”
Tiago Biachi de Castro
A pesquisa utilizou modelos in vitro e análises de amostras de tecidos de pacientes para confirmar que, ao silenciar a expressão da proteína ou bloquear sua interação, a capacidade de migração das células tumorais é reduzidamente drástica.
Impacto no tratamento
O câncer de pâncreas é conhecido por ser um dos mais letais, com baixa taxa de sobrevida em cinco anos. A dificuldade reside, em grande parte, na resistência a quimioterapias convencionais e na detecção tardia. Com os novos dados apresentados pela USP, a expectativa é que a proteína MAG se torne um alvo terapêutico viável.
O próximo passo da equipe científica envolve o teste de moléculas capazes de inibir a MAG em modelos animais, etapa crucial antes de avançar para ensaios clínicos com seres humanos. O projeto contou com apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo).
Com informações da Agência Fapesp