Nesta sexta-feira, 6 de março de 2026, São Paulo sedia a segunda edição do evento “Mulheres em AntecipAÇÃO – Autoconhecimento é poder!”. Promovido por uma coalizão de entidades de elite, como a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC), o Grupo EVA, GBECAM, GBOT e GTG, o seminário ocorre em um momento crítico: o câncer se consolidou como uma das principais causas de morte entre mulheres no Brasil.
As novas estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028 trazem dados preocupantes: a incidência de tumores de mama deve crescer 6,8%, enquanto os de pulmão e colo do útero apresentam altas superiores a 13%. O maior salto, contudo, é observado no câncer colorretal, com um aumento de 16,4% nos registros femininos.
Antecipação é cura: quando identificados em estágios iniciais, as chances de cura para o câncer de mama chegam a 95%.
Gargalos no rastreio: o Brasil enfrenta um paradoxo onde a tecnologia existe, mas a cobertura do Papanicolau e da mamografia ainda é insuficiente para reduzir a mortalidade.
Fatores de risco: envelhecimento populacional, tabagismo (mesmo passivo), sedentarismo e consumo de álcool são os principais motores desse aumento.
Vacinação HPV: apesar de altamente prevenível, o câncer de colo do útero terá 19.310 novos casos anuais, evidenciando falhas na adesão vacinal e no rastreio.
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De acordo com a Dra. Clarissa Baldotto, presidente da SBOC, o envelhecimento populacional é um fator natural para o aumento de casos, mas o verdadeiro vilão da mortalidade é o diagnóstico tardio. A “Antecipação” proposta pelo evento significa agir antes que o problema se agrave, transformando a informação em uma ferramenta de sobrevivência.
1. Câncer de mama: o líder em diagnósticos
Responsável por 30% dos casos femininos, o câncer de mama deve registrar 78.610 novos casos anualmente a partir de 2026. Sociedades médicas reforçam que a mamografia deve ser anual a partir dos 40 anos, superando a recomendação bienal do Ministério da Saúde para a faixa dos 50 anos.
2. Câncer colorretal: o crescimento mais acelerado
Com uma estimativa de 27.540 casos anuais entre mulheres, este tumor cresceu 16,4% em relação ao triênio anterior. A colonoscopia é vital, pois permite não apenas a detecção precoce, mas a retirada de lesões que poderiam evoluir para malignidade.
3. Colo do útero: um desafio de acesso
O aumento de 13,5% na incidência é considerado um sinal de alerta para a falha na cobertura vacinal contra o HPV e na realização do Papanicolau. Dra. Andrea Gadelha, do Grupo EVA, destaca que a incorporação de novas tecnologias, como o rastreio via HPVDNA, é inútil sem a adesão da população.
4. Pulmão e tabagismo: o reflexo do passado
Com 16.650 casos estimados para mulheres, o câncer de pulmão reflete o consumo de tabaco iniciado em décadas passadas, além da exposição à poluição e ao radônio. As mulheres, que tendem a começar a fumar mais tarde, enfrentam agora o pico de manifestação da doença, que pode levar 20 anos para surgir após a exposição.
Projeção de Novos Casos Anuais (Triênio 2026-2028)
| Tipo de Câncer | Novos Casos/Ano (Mulheres) | Aumento em relação a 2023-2025 |
| Mama | 78.610 | 6,8% |
| Colorretal | 27.540 | 16,4% |
| Colo do Útero | 19.310 | 13,5% |
| Pulmão | 16.650 | 14,5% |