Consumir castanhas reduz o desejo por doces, indica estudo

Pesquisa publicada no periódico Nutrients revela que o consumo diário de oleaginosas modula hormônios da fome e pode ser a chave para o controle da compulsão alimentar; especialistas do Einstein explicam o mecanismo

Castanhas-de-caju
Foto: Unsplash

A busca por estratégias eficazes de controle de peso e manutenção da saúde metabólica ganhou um aliado de peso vindo diretamente da natureza. Um estudo robusto publicado recentemente no periódico científico Nutrients trouxe evidências de que o consumo regular de oleaginosas — grupo que engloba nozes, avelãs, amêndoas, pistaches e as ricas castanhas brasileiras — atua como um potente modulador do apetite.

A pesquisa acompanhou 84 voluntários durante 16 semanas para entender como diferentes tipos de lanches afetam a percepção de fome e o desejo por alimentos açucarados. Os resultados foram claros: o grupo que substituiu lanches ricos em carboidratos refinados por uma porção de 33 gramas de castanhas variadas apresentou uma redução significativa na vontade de consumir doces como sorvetes, balas e bolos.

A engenharia da saciedade: hormônios em jogo

O segredo por trás do “efeito saciante” das nuts não é apenas o ato de mastigar, mas uma complexa interação hormonal. Segundo o estudo, o consumo dessas sementes influencia diretamente a leptina (o hormônio da saciedade) e a grelina (o hormônio da fome).

“As castanhas esbanjam nutrientes como proteínas e fibras, que ajudam a segurar a fome por mais tempo”, avalia a nutricionista Giuliana Modenezi, do Espaço Einstein Esporte e Reabilitação, do Hospital Israelita Albert Einstein. Ao retardar o esvaziamento gástrico e evitar picos de insulina, as oleaginosas impedem a famosa “fome rebote” que ocorre após o consumo de carboidratos simples.


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O equilíbrio das calorias: o “punhado” ideal

Apesar de serem aliadas da dieta, as oleaginosas possuem uma alta densidade calórica, visto que são compostas majoritariamente por gorduras mono e poli-insaturadas. Por isso, o segredo da eficácia está na porção. A recomendação geral da nutricionista Giuliana Modenezi é de um punhado diário entre 20 a 30 gramas.

Para otimizar o consumo, a dica de ouro é o preparo de um mix. Ao misturar diferentes tipos, o indivíduo garante uma sinergia de nutrientes: o selênio da castanha-do-pará, o ômega-3 das nozes e as fibras das amêndoas. Além disso, os lanches intermediários são particularmente benéficos para quem sofre de gastrite ou refluxo, pois evitam que o estômago permaneça vazio por períodos prolongados, o que poderia agravar a irritação gástrica.

Enciclopédia das castanhas: qual escolher?

Cada integrante deste grupo traz um benefício específico para o organismo:

  1. Castanha-do-pará (castanha-do-brasil): a campeã de selênio. Atua na proteção da tireoide e ajuda a prevenir doenças neurodegenerativas como o Alzheimer.

  2. Baru: tesouro do Cerrado, é rico em ferro e zinco, combatendo a anemia e fortalecendo a imunidade. Sua casca possui antioxidantes que combatem o envelhecimento celular.

  3. Noz: principal fonte vegetal de ômega-3, essencial para a saúde das artérias e com potente ação anti-inflamatória.

  4. Castanha-de-caju: fornece magnésio, mineral que auxilia no controle do estresse e no bom humor.

  5. Amendoim: embora seja uma leguminosa, é um lanche prático e rico em proteínas para a manutenção muscular, mas deve-se moderar no sal.

  6. Pistache e amêndoas: Excelentes fontes de fibras que auxiliam o trânsito intestinal e prolongam o tempo de digestão.

Guia de bolso: o poder das castanhas

Sugestão de consumo: 1 porção de 30g por dia (preferencialmente no lanche da tarde).

Tipo de “Nut”Calorias (aprox. 30g)Nutriente de DestaquePrincipal Benefício
Amêndoa170 kcalFibras e CálcioSaúde óssea e saciedade prolongada.
Amendoim165 kcalProteínasManutenção da massa muscular.
Avelã185 kcalVitamina E e Gorduras MonoProteção cardiovascular e ação antioxidante.
Baru155 kcalFerro e ZincoPrevenção de anemia e reforço imunitário.
Castanha-de-Caju160 kcalMagnésioMelhora do humor e relaxamento muscular.
Castanha-do-Pará190 kcalSelênioEscudo cerebral (Alzheimer) e tireoide.
Noz Chilena195 kcalÔmega-3Ação anti-inflamatória e saúde das artérias.
Pistache160 kcalFibras e PotássioControle intestinal e da pressão arterial.

💡 Dicas para o seu mix ideal

  1. A Regra da Unidade: no caso da Castanha-do-Pará, a densidade de selênio é tão alta que apenas 1 a 2 unidades por dia já suprem 100% das necessidades de um adulto. Não exagere nesta espécie.

  2. Variedade é Chave: tente misturar pelo menos três tipos diferentes. Por exemplo: 3 amêndoas + 2 nozes + 1 castanha-do-pará + 5 cajus. Isso garante um espectro completo de minerais.

  3. Cuidado com o Sal: sempre que possível, compre as versões cruas ou apenas torradas, sem adição de sal ou açúcar, para não anular os benefícios cardiovasculares.

  4. Armazenamento: mantenha suas castanhas em potes de vidro bem vedados e em local escuro (ou na geladeira). Por serem ricas em gorduras boas, elas podem oxidar (ficar rançosas) se expostas ao calor e à luz.


📊 Por que fixar este guia?

  • Controle de Porção: ajuda a não “perder a mão” no petisco, já que são alimentos calóricos.

  • Substituição Inteligente: se o foco do dia for imunidade, você olha para o Baru. Se for disposição, foca no Amendoim.

  • Saciedade: lembrar que elas têm fibras ajuda a segurar a ansiedade por doces no final da tarde.

Com informações da Agência Einstein