Dor nas costas atinge cada vez mais jovens entre 30 e 40 anos; entenda

Especialistas alertam que o hábito de trabalhar sentado por longas horas retifica a curvatura da coluna e enfraquece a musculatura, tornando-se a principal causa de incapacidade global

Dor nas costas
Foto: Freepik

O que antes era uma queixa comum da terceira idade, hoje é uma realidade precoce nos consultórios ortopédicos. A chamada “epidemia silenciosa” da dor nas costas já atinge mais de 600 milhões de pessoas globalmente, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), e no Brasil o cenário é alarmante. Dados do Ministério da Previdência Social revelam que, em 2025, o país registrou 4 milhões de afastamentos do trabalho — o maior número em cinco anos —, com as doenças osteomusculares, como hérnias de disco, no topo da lista.

Resumo

  • Estatística global: a dor lombar é a principal causa de incapacidade no mundo, afetando mais de 600 milhões de indivíduos de todas as idades.

  • Cenário nacional: o Brasil atingiu em 2025 o recorde de 4 milhões de afastamentos previdenciários por problemas na coluna e hérnias.

  • Perfil dos pacientes: há uma tendência crescente de atendimentos em pessoas jovens, entre 30 e 40 anos, devido à rotina de trabalho sentada.

  • Prevenção eficaz: a prática de atividades físicas de fortalecimento e a interrupção do tempo sentado são as melhores estratégias para evitar crises.

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De acordo com o médico ortopedista Guilherme Porceban, a mudança no perfil dos pacientes, agora concentrado na faixa dos 30 a 40 anos, é um reflexo direto dos hábitos modernos. “Trabalhos predominantemente sentados acabam sobrecarregando os discos na região lombar. Quando estamos sentados, há uma tendência em retificar a curvatura da coluna, gerando uma pressão constante que, somada ao sedentarismo, enfraquece a musculatura protetora”, explica o especialista.

A armadilha do sedentarismo corporativo

A rotina exaustiva de escritório ou home office cria um ciclo vicioso: a falta de tempo dificulta a prática de exercícios, o que resulta em músculos abdominais e dorsais fracos. Sem esse “cinturão natural” de força, todo o peso do corpo é transferido diretamente para os discos intervertebrais, resultando em inflamações e dores crônicas que incapacitam o trabalhador.

Para reverter esse quadro, a regra é clara: movimento é remédio. O fortalecimento muscular por meio de atividades como musculação, natação ou pilates é o principal fator de proteção. Além disso, pequenas mudanças na ergonomia diária, como ajustar a altura da tela e fazer pausas ativas, são fundamentais para aliviar a carga sobre a estrutura óssea.

Dicas práticas para proteger a coluna

  • Pausas programadas: levante-se a cada 2 horas e permaneça pelo menos 15 minutos em pé ou caminhando para descarregar o peso dos discos.

  • Fortalecimento direcionado: invista em exercícios que foquem no “core” (abdômen e lombar), como hidroginástica ou fisioterapia preventiva.

  • Sinais do corpo: não ignore pequenos desconfortos; a dor é um aviso de que a estrutura está chegando ao seu limite físico.