ELA: entenda a doença neurodegenerativa que levou à morte o ator Eric Dane

“Quanto mais cedo o diagnóstico, mais eficaz o cuidado”, explica médico sobre doença que matou astro

Eric Dane
Eric Dane Foto: Jeff Kravitz/FilmMagic for HBO)

Eric Dane, conhecido por papéis em séries como ‘Grey’s Anatomy’ e ‘Euphoria’, faleceu hoje aos 53 anos. O ator havia revelado publicamente, há dez meses, que havia sido diagnosticado com esclerose lateral amiotrófica (ELA). A notícia da morte foi divulgada pela família em comunicado à revista People. “Ele passou seus últimos dias cercado por amigos próximos, sua dedicada esposa e suas duas filhas maravilhosas, Billie e Georgia, que eram o centro da sua vida”, diz a nota.

Durante sua luta contra a ELA, Dane se destacou como um defensor ativo da conscientização e da pesquisa sobre a doença, empenhado em ajudar quem enfrenta desafios semelhantes. Ele será profundamente lembrado e fará falta para muitos. Eric valorizava imensamente o carinho de seus fãs e agradecia cada demonstração de apoio. A família pediu privacidade neste momento delicado.

O ator ficou famoso por interpretar Dr. Mark Sloan, também conhecido como McSteamy, em “Grey’s Anatomy”. Sua estreia na série ocorreu em 2006, e a reação positiva do público transformou o personagem em figura central, tornando Dane um dos símbolos sexuais da televisão, segundo a People. Ele permaneceu no elenco até 2012. Em dezembro de 2025, Dane anunciou que continuaria atuando, confirmando presença na terceira temporada de “Euphoria”. Na época, afirmou: “Sou grato por ter minha amada família ao meu lado enquanto navegamos por este próximo capítulo”, referindo-se ao personagem Cal Jacobs.

Mais recentemente, ele interpretou um bombeiro com ELA na série “Mentes Extraordinárias”. Sobre o papel, comentou: “Nunca tinha vivido algo tão próximo da minha própria realidade. Foi desafiador, mas, de modo geral, muito gratificante e catártico”.

Nascido em São Francisco, nos Estados Unidos, Eric descobriu a atuação por acaso. “Eu jogava polo aquático no ensino médio e minha temporada foi curta. Fui convencido a interpretar Joe Keller em ‘All My Sons’ e me apaixonei de imediato”, revelou em entrevista à Gulf Times. Além da televisão, o ator também ganhou destaque em filmes como “Burlesque” (2010), “Dia dos Namorados” (2010) e “Marley & Eu” (2008), além da série “O Último Navio” (2014). Em 2004, casou-se com a atriz Rebecca Gayheart, com quem teve as filhas Billie, de 15 anos, e Georgia, de 14.

Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA)

A IstoÉ conversou com um médico especialista sobre a doença que afetava o ator. A Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA) é uma doença neurodegenerativa progressiva que atinge os neurônios motores, responsáveis pelo controle dos movimentos voluntários. Embora seja considerada rara, o impacto funcional e emocional da condição é profundo, tanto para o paciente quanto para a família.

A doença compromete gradualmente a força muscular e pode afetar a fala, a deglutição, a mobilidade e, em estágios mais avançados, a respiração. Ainda não há cura, mas o acompanhamento especializado e o suporte multidisciplinar têm papel fundamental na preservação da qualidade de vida.

Segundo o neurologista Dr. Sérgio Jordy, um dos principais desafios é reconhecer os sinais iniciais.

“A ELA costuma começar de forma discreta, com fraqueza localizada, dificuldade para realizar movimentos finos ou alterações sutis na fala. Como os sintomas podem ser confundidos com outras condições, o diagnóstico nem sempre é imediato. Quanto mais cedo identificamos o quadro, mais estruturado e eficaz pode ser o plano de cuidado”, explica.

Os sintomas variam de pessoa para pessoa, mas frequentemente incluem fraqueza muscular progressiva, câimbras frequentes, fasciculações (pequenas contrações involuntárias visíveis sob a pele), alterações na fala e dificuldade para engolir. Na maioria dos casos, as funções cognitivas permanecem preservadas nas fases iniciais, o que faz com que o paciente tenha plena consciência das limitações progressivas, reforçando a necessidade de suporte emocional adequado.

“A abordagem da ELA precisa ser integrada. Envolve neurologia, neurocirurgia, fisioterapia, fonoaudiologia, suporte respiratório, nutrição e acompanhamento psicológico. Não se trata apenas de tratar sintomas, mas de planejar o cuidado com foco em dignidade e qualidade de vida”, destaca o Dr. Jordy.

Além das repercussões motoras, a ELA impõe um impacto emocional significativo. Por isso, o acolhimento, a informação clara e o acompanhamento contínuo são parte essencial do tratamento.

“O paciente precisa se sentir amparado. O cuidado começa na escuta e na orientação adequada. Planejamento e acompanhamento estruturado fazem diferença na jornada da doença”, conclui o especialista.