Quantos passos você precisa dar para não engordar de novo? Estudo traz resposta exata

Nova meta-análise apresentada no ECO 2026 em Istambul mostra que aumentar a atividade diária para cerca de 8,5 mil passos é o fator determinante para não engordar novamente após a dieta

Passos: pessoas caminhando
Foto: Pexels

Emagrecer é apenas metade da batalha; a verdadeira vitória reside em manter os quilos perdidos. No universo da nutrição e endocrinologia, o fenômeno conhecido como “efeito sanfona” é o maior obstáculo para a saúde pública global. No entanto, uma nova esperança surge com a pesquisa que será apresentada no Congresso Europeu sobre Obesidade (ECO 2026), em Istambul. O estudo revela que um hábito simples — atingir a marca de 8.500 passos por dia — pode ser a solução definitiva para evitar o reganho de peso após a dieta.

Resumo

  • Meta de manutenção: caminhar aproximadamente 8.500 passos por dia é a chave para evitar que o peso perdido retorne após o fim da dieta restritiva.

  • Estatística alarmante: cerca de 80% das pessoas com obesidade que emagrecem recuperam o peso total ou parcial dentro de três a cinco anos.

  • Diferença de fase: o estudo revelou que caminhar mais não acelera a perda de peso inicial (dominada pela dieta), mas é crucial na fase de manutenção.

  • Base científica: a análise envolveu 3.758 adultos de países como EUA, Reino Unido e Japão, com idade média de 53 anos.

  • Estratégia acessível: pesquisadores classificam a caminhada como a intervenção de saúde pública mais barata e viável contra a obesidade.

O desafio é hercúleo: estatísticas mostram que cerca de 80% das pessoas que conseguem perder peso voltam a engordar em um período de três a cinco anos. Para o professor Marwan El Ghoch, da Universidade de Modena e Reggio Emilia, na Itália, identificar uma estratégia que resolva esse “gargalo clínico” é de valor inestimável. Através de uma meta-análise robusta de 18 ensaios clínicos controlados, sua equipe investigou o impacto real da contagem de passos na gestão do peso a longo prazo.

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O papel do movimento na manutenção

A pesquisa acompanhou quase 4.000 adultos com um IMC médio de 31 kg/m² (caracterizando obesidade). Os participantes foram divididos entre grupos que apenas faziam dieta e grupos inseridos em programas de modificação de estilo de vida (LSM), que incluíam metas de caminhada monitoradas por contadores de passos.

Os resultados trouxeram uma distinção fascinante entre “perder peso” e “manter o peso”. Durante a fase inicial de emagrecimento, o aumento da caminhada não resultou em uma perda de gordura significativamente maior do que a observada naqueles que apenas reduziram calorias. Isso sugere que, no curto prazo, a dieta é soberana. Contudo, na fase de manutenção — que durou em média 10 meses após a dieta — a diferença foi brutal. Aqueles que elevaram sua média de 7.200 para 8.500 passos diários conseguiram manter a maior parte do peso perdido (cerca de 3 a 4 kg de redução sustentada), enquanto os sedentários viram os ponteiros da balança subirem novamente.

Por que 8.500 Passos?

A meta de 10 mil passos por dia, embora popular, foi originalmente criada por uma campanha de marketing no Japão na década de 1960. O novo estudo de 2026 traz uma evidência clínica mais precisa: o número de 8,5 mil parece ser o “ponto de equilíbrio” metabólico. Esse nível de atividade ajuda a regular o apetite, melhora a sensibilidade à insulina e compensa a redução na taxa metabólica basal que ocorre naturalmente quando alguém emagrece.

“Aumentar o número de passos para 8.500 é uma estratégia simples, democrática e extremamente acessível”, afirma El Ghoch. Diferente de programas de academia caros ou dietas com suplementos exóticos, caminhar exige apenas um par de tênis e persistência.

Essa descoberta valida a importância de políticas públicas que incentivem cidades caminháveis e o uso de tecnologia wearable (como smartwatches) para o monitoramento da saúde. Em um país como o Brasil, onde os índices de obesidade seguem em ascensão, a “receita” de 8.500 passos pode ser o tratamento de baixo custo que o sistema de saúde tanto precisa para combater as doenças crônicas associadas ao peso.