Saúde sob ataque: hospitais estão investindo em ‘bunkers digitais’ para salvar vidas

Setor se tornou o alvo número 1 de hackers em 2025; case do Hospital Regina mostra que agilidade na recuperação de dados é vital para a segurança do paciente

Hospital Regina
Foto: Divulgação

A digitalização acelerada da medicina transformou a segurança da informação em um pilar de sobrevivência para instituições de saúde. Um exemplo claro dessa mudança de paradigma ocorreu no Hospital Regina, referência no Vale do Sinos (RS). A instituição superou um gargalo operacional crítico: seus processos de backup, que antes levavam até 14 dias para serem concluídos, agora são finalizados em menos de 20 horas, com cópias incrementais praticamente instantâneas.

A modernização foi conduzida pela SOU, empresa especializada em cibersegurança, que implementou uma arquitetura de infraestrutura híbrida (local e nuvem). O diferencial técnico adotado foi o recurso de imutabilidade, que impede que os dados salvos sejam alterados ou deletados por malwares (como ransomwares), garantindo a última linha de defesa em caso de desastre digital.

Para Tiago Eismann, coordenador de TI do Hospital Regina, o ganho não é apenas técnico, mas assistencial.

“Antes, a lentidão dificultava o acesso às imagens médicas. Hoje, o backup acontece sem que a equipe perceba, garantindo velocidade e segurança. Isso impacta diretamente na qualidade do atendimento e na segurança assistencial dos pacientes”, afirma.

O alvo número um dos hackers

O investimento do hospital reflete uma necessidade urgente do mercado. Segundo o relatório Digital Trust Insights 2025, da PwC, a saúde se tornou o setor mais visado por ataques cibernéticos no mundo, superando bancos e varejo. Dados da Check Point Research corroboram o cenário: em 2025, o Brasil registrou média de 2.664 ataques semanais por organização de saúde, um salto de 73% em relação ao ano anterior.

Nesse cenário, a agilidade no acesso aos dados pode ser uma questão de vida ou morte. Em uma cirurgia de emergência, a disponibilidade imediata do histórico clínico do paciente depende de servidores íntegros e acessíveis.

Robertson Kieling, CIO e Head of Cybersecurity da SOU, defende que a proteção de dados deve ser tratada com a mesma prioridade que a aquisição de equipamentos médicos de ponta.

“O setor de saúde é hoje o alvo número um dos cibercriminosos. Um backup eficiente não é apenas uma medida de proteção contra falhas técnicas, é uma ferramenta que pode salvar vidas. Quando garantimos que os dados de um paciente estão íntegros, oferecemos segurança clínica para os médicos”, explica o executivo.

Além da segurança operacional, a atualização tecnológica permitiu ao Hospital Regina adequar-se plenamente às exigências da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e às normativas de governança do setor, que movimentou quase R$ 1 trilhão no Brasil no último ano.