Jejum intermitente não é mais eficaz que dietas comuns, revela estudo

Análise profunda de múltiplas pesquisas sugere que o jejum intermitente não é melhor do que a restrição calórica tradicional. Especialistas alertam que o sucesso da dieta depende mais do 'quanto' se come do que do 'quando'

Imagem ilustrativa sobre jejum intermitente
Foto: Freepik

O jejum intermitente — o hábito de restringir a ingestão de alimentos a janelas de tempo específicas — tornou-se uma das tendências de saúde mais celebradas da última década, adotado por celebridades e entusiastas do biohacking. No entanto, uma revisão abrangente de estudos publicados recentemente no JAMA Network Open coloca em dúvida a “superioridade” desse método. A conclusão dos investigadores é clara: não há evidências sólidas de que o jejum intermitente ofereça benefícios significativos de perda de peso em comparação com a contagem tradicional de calorias.

  • Eficácia comparada: o estudo revela que, embora o jejum ajude a perder peso, os resultados são estatisticamente semelhantes aos de dietas em que as calorias são reduzidas de forma constante ao longo do dia.

  • Mito metabólico: a ideia de que o jejum “acelera” o metabolismo de forma única não foi sustentada por evidências de longo prazo na maioria dos participantes.

  • Saúde cardiometabólica: apesar da perda de peso semelhante, a revisão notou que o jejum pode não oferecer vantagens extras na regulação da glicose ou redução do colesterol além do que a perda de peso convencional já proporciona.

  • Adesão e sustentabilidade: o principal benefício do jejum parece ser a simplicidade para algumas pessoas, mas a dificuldade de manutenção social e psicológica continua a ser um desafio.


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O foco deve estar na qualidade, não no relógio

Os investigadores analisaram dezenas de ensaios clínicos e descobriram que a perda de peso média variou apenas marginalmente entre os grupos que praticavam jejum e os que apenas reduziam a quantidade de comida. Para a ciência, isso sugere que o mecanismo fundamental do emagrecimento continua a ser o déficit calórico, independentemente do horário das refeições.

A revisão sugere que o “hype” em torno do jejum intermitente pode ter obscurecido a importância do que está a ser consumido. Muitas pessoas utilizam a janela de alimentação para ingerir alimentos ultraprocessados, acreditando que o período de jejum irá compensar as más escolhas nutricionais — o que a ciência agora refuta como uma estratégia sustentável.

O papel da preferência individual

Embora o estudo desmistifique a “superioridade mágica” do jejum, os especialistas ressaltam que a dieta não é inútil. Para muitos, limitar o horário de comer ajuda a evitar o “snacking” (lanches fora de hora) noturno, o que naturalmente reduz as calorias totais.

“O melhor método de emagrecimento é aquele que o paciente consegue manter a longo prazo. Se o jejum intermitente ajuda alguém a controlar a fome, ele é válido, mas não deve ser vendido como uma cura milagrosa ou superior a uma dieta equilibrada tradicional.”

Dr. Alan Smith, investigador de nutrição clínica.