A apresentadora Lívia Andrade, 42, foi diagnosticada com neuralgia do trigêmeo após sofrer uma crise de dor intensa, que considerou a mais forte que já sentiu. Inicialmente, ela acreditava que o problema tivesse relação com os dentes, mas exames descartaram alterações odontológicas. A reportagem de IstoÉ conversou com um especialista para explicar a condição e orientar sobre os sintomas e o tratamento.
De acordo com Dr. José Marcos, especialista em Medicina da Dor da clínica Saint Moritz, “A neuralgia do trigêmeo é uma das condições dolorosas mais marcantes da neurologia. Quem já atendeu um paciente em crise sabe: não se trata de uma ‘dor no rosto’, mas de um disparo elétrico tão intenso que interrompe fala, mastigação e qualquer atividade em curso. É uma dor breve, porém devastadora, que pode se repetir dezenas de vezes ao dia.”
“O trigêmeo é o principal nervo sensitivo da face. Quando sofre compressão, na maioria das vezes por um pequeno vaso sanguíneo na base do crânio, ele passa a emitir descargas anormais. O resultado são crises descritas como choques, facadas ou descargas súbitas, muitas vezes desencadeadas por estímulos mínimos: escovar os dentes, tocar a pele, falar ou até sentir o vento”, completa Dr. José Marcos.
Segundo o especialista, “Por essa combinação de intensidade e imprevisibilidade, a neuralgia do trigêmeo é considerada uma das dores mais severas da medicina. Embora seja mais frequente após os 50 anos, também pode surgir em pacientes com doenças desmielinizantes, como a esclerose múltipla.”
“O diagnóstico ainda é um desafio. Muitos pacientes passam meses tratando como problema dentário, o que atrasa o início do manejo adequado. Quando identificada corretamente, medicamentos que estabilizam a atividade elétrica do nervo costumam controlar bem as crises. Nos casos refratários, procedimentos como a descompressão microvascular podem oferecer alívio duradouro e, em muitos pacientes, eliminar a dor”, explica Dr. José Marcos.
Para alertar a população, Dr. José Marcos reforça: “Diante de dor facial súbita, intensa e recorrente, a avaliação médica é fundamental. Dor no rosto não deve ser banalizada; às vezes, é o sinal claro de que um nervo está sofrendo e precisa de atenção especializada.”