Menisco: entenda a lesão que afastou Neymar dos gramados

Especialista alerta para recuperação longa e risco elevado após sequência de contusões no mesmo joelho

Neymar sente dor no joelho esquerdo
Foto: Guilherme Dionízio/Estadão Conteúdo

Neymar, 33 anos, sofreu uma nova lesão no menisco do joelho esquerdo e, além de desfalcar o Santos nas últimas partidas, vê sua preparação para a Copa do Mundo de 2026 entrar em um cenário de incertezas. Esta é a quarta lesão do jogador somente neste ano, todas no mesmo joelho, o que aumenta a preocupação com o acúmulo de danos estruturais na articulação.

O menisco é uma das estruturas essenciais para estabilidade e absorção de impacto no joelho. O ortopedista Isaías Chaves, especialista em joelho e quadril, afirmou à reportagem de IstoÉ por que o problema exige atenção redobrada, especialmente em atletas de alto rendimento.

“Existem dois meniscos em cada joelho. São estruturas entre a tíbia e o fêmur que funcionam como um amortecedor biológico, auxiliando na lubrificação da articulação e na distribuição da carga. Assim como o ligamento cruzado anterior, o mesmo que o Neymar lesionou no último ano, o menisco tem papel fundamental na estabilização”, destacou o médico.

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Chaves explica que o tratamento depende do tipo de dano, mas sempre envolve riscos para a evolução da articulação.

“O tratamento pode ser cirúrgico ou conservador, conforme o perfil da lesão. São problemas graves porque podem comprometer a estabilidade do joelho e, quando há necessidade de retirada parcial do menisco, o risco de artrose aumenta consideravelmente”, afirmou à IstoÉ.

Para atletas de elite, o tempo também pesa. O ortopedista reforça que a recuperação exige etapas rigorosas e nunca ocorre de forma imediata.

“A reabilitação, seja conservadora ou após cirurgia, passa por fases bem definidas. O retorno ao esporte de alto rendimento pode levar cerca de seis meses. No caso do Neymar, ainda é preciso considerar o histórico de lesões acumuladas. Pensando na preparação para a Copa, ele teria pouco tempo para se recuperar totalmente, readquirir ritmo e retornar ao nível exigido”, disse.

A nova lesão amplia as dúvidas sobre a condição física do jogador para a próxima temporada e para o Mundial de 2026. Com contusões repetidas no mesmo joelho e uma reabilitação prevista para durar meses, não há garantia de que Neymar conseguirá retomar o desempenho de alto nível no curto prazo.

O histórico de lesões preocupa

A sequência recente é apenas parte de um quadro mais amplo. Desde 2018, Neymar convive com um volume expressivo de problemas físicos: fraturou o quinto metatarso do pé direito em duas temporadas consecutivas; teve entorse grave no tornozelo com comprometimento ligamentar durante a Copa do Mundo de 2022; sofreu nova lesão no tornozelo logo após retornar; e, em 2023, rompeu o ligamento cruzado anterior e o menisco do joelho esquerdo — o mesmo local afetado agora. Apenas essa última contusão o afastou por quase um ano.

Em 2024, o atacante voltou aos gramados ainda em adaptação e, desde então, acumulou episódios de dor, inflamação e pequenas lesões no joelho operado. A reincidência reforça as dúvidas sobre a resistência da articulação e a possibilidade de sobrecarga crônica.

A fase atual no Santos

No retorno ao Santos, clube que o revelou, Neymar vinha sendo tratado como peça central na reconstrução do time para 2025. Mesmo sem estar no auge físico, já havia participado de ações de marketing, integrado treinos específicos e atuado em minutos controlados em algumas partidas, enquanto o clube planejava um retorno gradual ao ritmo competitivo.

A nova lesão, porém, interrompe o processo. Internamente, o Santos trabalha com cautela, consciente de que o atacante não conseguirá sustentar sequência de jogos no curto prazo. A projeção de tê-lo em plena forma no início da próxima temporada agora é vista como improvável, aumentando o impacto esportivo e financeiro para o clube.

Com o histórico recente de problemas físicos e a necessidade de nova reabilitação, o cenário coloca em dúvida não apenas o papel de Neymar no Santos em 2025, mas também sua efetiva participação no ciclo final rumo à Copa do Mundo de 2026.