Neurocirurgião explica o que pode ter causado convulsão de Henri Castelli no BBB26

Ator passou mal durante prova de resistência no reality, foi atendido duas vezes pela equipe médica e segue sob observação

O ator Henri Castelli
Foto: Reprodução/Instagram

O ator Henri Castelli, de 47 anos, sofreu duas convulsões durante o BBB26 nesta quarta-feira, 14. A primeira convulsão ocorreu enquanto ele participava de uma prova de resistência que já durava cerca de dez horas e precisou ser interrompida imediatamente após o mal-estar. Na tarde de hoje, Castelli voltou a passar mal e foi novamente levado para atendimento médico.

Provas de longa duração, como as realizadas no reality show, submetem o organismo a um alto nível de estresse metabólico e ambiental. Nessas circunstâncias, episódios neurológicos agudos, como convulsões, podem ocorrer mesmo em pessoas sem histórico prévio de epilepsia.

Em entrevista à reportagem de IstoÉ, o neurocirurgião Victor Hugo Espíndola explica que crises desse tipo costumam estar associadas a alterações fisiológicas específicas. “Em provas prolongadas, os principais fatores relacionados a convulsões são desidratação, hiponatremia associada ao exercício, hipoglicemia, hipertermia severa e o chamado heat stroke. Essas condições provocam uma disfunção cerebral aguda e se enquadram no que a Liga Internacional Contra a Epilepsia classifica como crises sintomáticas agudas”, afirma.

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Segundo o especialista, o estresse extremo e a exaustão, isoladamente, raramente são causas diretas de convulsão. “A crise pode acontecer em pessoas que nunca tiveram episódios semelhantes, desde que o estresse leve a alterações mensuráveis, como desequilíbrios hidroeletrolíticos, queda de glicose, privação de sono ou aumento excessivo da temperatura corporal. O estresse emocional atua mais de forma indireta, favorecendo comportamentos de risco, como má hidratação, pouco descanso ou uso de estimulantes”, explica Espíndola.

A distinção entre uma convulsão provocada por esforço físico intenso e uma crise epiléptica clássica exige avaliação médica criteriosa. “As crises associadas ao exercício geralmente ocorrem durante ou logo após a atividade e costumam vir acompanhadas de sinais como sede intensa, vômitos, câimbras, confusão mental ou ingestão excessiva de água. Já as crises epilépticas tendem a surgir sem relação com esforço, podem ocorrer em repouso e têm caráter recorrente”, pontua. Exames laboratoriais, como dosagem de eletrólitos e glicemia, além de eletroencefalograma e ressonância magnética, auxiliam no diagnóstico.

Antes da convulsão, também podem surgir sinais de alerta, que refletem o distúrbio fisiológico subjacente. “Tontura, dor de cabeça, náusea, irritabilidade, confusão mental, visão turva e câimbras musculares indicam desidratação, hiponatremia, hipoglicemia ou sobrecarga térmica. Isso é diferente das chamadas auras epilépticas, que envolvem sensações específicas, como déjà-vu ou alterações visuais e olfativas”, ressalta o neurocirurgião.

O retorno a atividades competitivas após um episódio convulsivo deve ser avaliado com cautela. “Quando a convulsão é claramente provocada por fatores como hiponatremia, hipoglicemia ou hipertermia, o retorno só deve ser considerado após a correção completa do distúrbio e liberação médica. Se houver suspeita de epilepsia não provocada, é indispensável investigação neurológica detalhada. Não existe um prazo único seguro; a decisão precisa ser individualizada”, reforça.

Espíndola também alerta para cuidados básicos diante de uma pessoa em crise convulsiva. “Não se deve imobilizar a pessoa nem colocar objetos ou dedos na boca. Isso não evita mordedura da língua e pode causar fraturas, lesões dentárias ou aspiração. O correto é proteger a cabeça, afastar objetos que possam causar ferimentos e, após a crise, posicionar a pessoa de lado. O serviço de emergência deve ser acionado se a convulsão durar mais de cinco minutos, se houver repetição sem recuperação, trauma associado ou dúvida diagnóstica”, orienta.

Globo se posiciona

À IstoÉ Gente, a assessoria de imprensa do reality show da Globo informou que o participante recebeu atendimento imediato. “Depois de ter sido prontamente atendido pela equipe médica do programa durante a realização da prova do líder esta manhã, o participante Henri Castelli foi encaminhado para a realização de exames em um hospital”, diz a nota.