Obesidade causa 10% das mortes por infecção, alerta estudo global

Pesquisa publicada na "The Lancet" aponta que condição aumenta risco de doença grave e fatalidade por ampla gama de patógenos

Estudo na The Lancet revela que obesidade é responsável por 1 em cada 10 mortes por infecções anualmente, aumentando o risco de complicações graves e óbito.
Estudo na The Lancet revela que obesidade é responsável por 1 em cada 10 mortes por infecções anualmente, aumentando o risco de complicações graves e óbito. Foto: Pexels

Um estudo recente, publicado na renomada revista científica “The Lancet“, revela que a obesidade é um fator crucial em uma a cada dez mortes por infecções registradas anualmente no mundo. A pesquisa enfatiza que a condição aumenta significativamente o risco de desenvolver infecções por uma vasta gama de patógenos, com a gravidade da obesidade diretamente ligada à probabilidade de doença severa e óbito.

O que aconteceu

  • Um estudo global publicado na revista “The Lancet” aponta que a obesidade é responsável por uma em cada dez mortes por infecções anualmente.
  • A pesquisa analisou o impacto da obesidade em 925 microrganismos, incluindo bactérias, vírus e fungos, em mais de 500 mil participantes na Finlândia e no Reino Unido.
  • Indivíduos com obesidade grau III podem ter o risco de infecções severas triplicado, independentemente de outros fatores de risco.

O estudo expande o conhecimento prévio de que a obesidade agrava infecções como gripe e Covid-19. Desta vez, a investigação avaliou o impacto da condição na incidência, hospitalizações e mortalidade associadas a 925 tipos de microrganismos, abrangendo bactérias, vírus, parasitas e fungos. Os dados foram coletados de dois extensos grupos de pacientes da Finlândia e do UK Biobank, no Reino Unido, totalizando mais de meio milhão de participantes.

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Os resultados mostram que o risco de infecção severa foi quase duas vezes maior em indivíduos com qualquer grau de obesidade. Esse risco pode triplicar em pessoas com obesidade grau III, conhecida como obesidade mórbida, que é caracterizada por um Índice de Massa Corporal (IMC) acima de 40. Esses achados foram consistentes, independentemente do perfil clínico, sociodemográfico, comportamental e outros fatores de risco dos participantes.

Como a obesidade afeta o sistema imunológico?

O endocrinologista Paulo Rosenbaum, do Einstein Hospital Israelita, explica que a maior suscetibilidade a infecções nesses pacientes é atribuída a alterações metabólicas, à disfunção do sistema imunológico e à inflamação crônica presente na obesidade, mesmo em níveis subclínicos. O especialista também destaca que estudos indicam uma redução de quadros infecciosos em pacientes que utilizam medicamentos para tratamento da obesidade, como semaglutida e tirzepatida.

“Estamos observando na prática que, quando a pessoa perde peso, passa a ter menor risco de infecção e complicações”, relata Rosenbaum. Os achados da nova pesquisa sugerem uma projeção preocupante: com o contínuo aumento da incidência global da obesidade, espera-se que a carga de infecções severas também cresça nas próximas décadas.

Ações urgentes para combater a obesidade

“O estudo chama a atenção para a importância de tratar a obesidade, pois é mais um fator de risco para infecção, internação e mortalidade”, observa o médico. Os resultados reforçam, portanto, a necessidade imperativa de implementar políticas públicas eficazes, focadas na prevenção e no tratamento da obesidade. Tais medidas são cruciais para reduzir a carga dessas doenças, bem como os custos substanciais associados a hospitalizações, mortalidade e absenteísmo, entre outros impactos negativos.

Da IstoÉ com Agência Einstein