Retrospectiva 2025: os 5 avanços da medicina que mudaram o ano

Do mapeamento inédito do DNA do Brasil à vacina nacional contra a dengue, 2025 consolidou a ciência como pilar de esperança para o futuro da saúde pública

Laboratorista analisa amostra em microscópio
Foto: Freepik

2025 foi marcado por descobertas científicas que ampliaram fronteiras de conhecimento e ofereceram novas perspectivas e avanços promissores para a saúde pública. Relembre a seguir, cinco avanços da medicina que se destacaram este ano – e ainda vão ser notícia nos próximos.

O DNA do Brasil é revelado em estudo inédito

A pesquisa “DNA do Brasil”, feita pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com o Ministério da Saúde, ganhou os holofotes por mapear pela primeira vez, em larga escala, o genoma dos brasileiros.

O resultado, publicado na revista Science, revelou 8,7 milhões de variações genéticas que nunca haviam sido catalogadas globalmente. Com essa pesquisa, foi possível ver, registrado no DNA, a história de colonização do Brasil, com traços indígenas, africanos e europeus nas combinações genômicas.

Em um futuro próximo, os pesquisadores garantem que dados da população brasileira podem impactar na prevenção, diagnóstico e tratamentos para diversas condições de saúde relacionadas à genética, como o câncer, com tratamentos cada vez mais personalizados para os brasileiros.

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Polilaminina traz esperança a pessoas paraplégicas

Uma pesquisa brasileira da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) com polilaminina, uma substância desenvolvida a partir de uma proteína da placenta, chamou atenção da comunidade científica do mundo inteiro – e da população também – por demonstrar a possibilidade de restaurar lesões na medula espinhal.

O estudo foi feito inicialmente em seis cães paraplégicos e, como resultado, quatro dos animais que receberam a aplicação da polilaminina na medula voltaram a dar alguns passos. Já dois dos animais tiveram avanços mais discretos.

Em humanos, o teste também foi feito em grupos pequenos de maneira experimental. Segundo os pesquisadores, oito voluntários que haviam perdido movimentos por lesões na medula receberam a substância e relataram diferentes níveis de recuperação motora, desde controle de membros e do tronco até mobilidade completa nas pernas.

Além de trazer avanços para o tratamento de lesões na medula, o estudo sobre a polilaminina trouxe para o debate o potencial da placenta humana para a medicina.

Imunidade é tema do Prêmio Nobel de Medicina 2025

O Prêmio Nobel de Medicina deste ano foi concedido a três pesquisadores que desvendaram um mecanismo chave do sistema imunológico. O trio, formado pelos cientistas Shimun Sakaguchi, do Japão, e a Mary Brunkow e Fred Ramsdell, dos Estados Unidos, conduziu pesquisas fundamentais sobre as chamadas células T reguladoras, que, como sugere o nome, descobriu-se serem responsáveis por regular o sistema imunológico.

Essas pesquisas, realizadas há mais de 20 anos, foram essenciais para pautar a produção de conhecimento nesta área, assim como para o desenvolvimento de tratamentos contra o câncer, doenças autoimunes e rejeição de transplantes.

As pesquisas premiadas foram base para outros avanços científicos, como o desenvolvimento da imunoterapia, um dos tratamentos mais modernos contra o câncer, e também para novas pesquisas sobre transplantes e o tratamento de diabetes tipo 1.

A nova vacina nacional contra a dengue

Este ano, a Anvisa aprovou a primeira vacina da dengue em dose única, produzida pelo Instituto Butantan. Este é o primeiro imunizante brasileiro contra a doença e está autorizado para uso em pessoas entre 12 e 59 anos.

Até o momento, o Instituto Butantan já produziu cerca de 1 milhão de doses e o Ministério da Saúde definiu que o imunizante vai ser ofertado exclusivamente pelo SUS em 2026.

A distribuição dessa vacina marca um avanço promissor para o combate à doença: só em 2024, o Brasil registrou mais de seis milhões de casos de dengue e cerca de seis mil mortes por dengue, o maior número da história, segundo o Ministério da Saúde. Embora os casos tenham diminuído este ano, a dengue e demais arboviroses seguem sendo um desafio para a saúde pública, especialmente por causa do aquecimento global.

Eliminação da transmissão vertical do HIV

O Brasil alcançou o menor patamar de transmissão vertical (de mãe para o bebê) do HIV. Segundo os dados do boletim da doença, o país manteve a taxa de transmissão do HIV de mãe para bebê abaixo de 2% e a incidência da infecção em crianças inferior a 0,5 caso por mil nascidos vivos. Isso significa que o país interrompeu, de maneira contínua, infecções em bebês durante a gestação, o parto ou a amamentação, cumprindo as metas internacionais e os critérios estabelecidos pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Outra boa notícia sobre o assunto é que o país registrou o menor número de mortes por aids em 32 anos, segundo os dados do último boletim epidemiológico da doença, do Ministério da Saúde. Em comparação com 2023, o número de óbitos pela síndrome em 2024 caiu 13%.

Em 2023, foram dez mil mortes por aids, já em 2024, foram 9,1 mil. Essa é a primeira vez em três décadas que o total fica abaixo de dez mil, graças aos medicamentos e terapias disponíveis que são capazes de tornar o vírus do HIV indetectável e intransmissível.