Estudo revela risco de perda de visão até 7 vezes maior com uso de Wegovy e Ozempic

Nova investigação científica aponta que pacientes que utilizam fármacos como Wegovy e Ozempic têm chances significativamente maiores de desenvolver neuropatia óptica isquêmica, condição que pode levar à perda visual permanente

Caneta emagrecedora - Wegovy Ozempic
Foto: Freepik

A ascensão meteórica dos medicamentos à base de semaglutida, como o Ozempic e o Wegovy, transformou o tratamento da diabetes tipo 2 e da obesidade nos últimos anos. No entanto, um novo estudo de larga escala trouxe à tona um efeito colateral raro, mas devastador: o risco aumentado de perda súbita e permanente da visão.

Resumo

  • Um estudo observacional conduzido por pesquisadores da Harvard Medical School e publicado no British Journal of Ophthalmology acendeu um alerta global sobre o uso de semaglutida.

  • Pacientes com obesidade ou sobrepeso que utilizam Wegovy apresentaram um risco 7 vezes maior de desenvolver Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica (NAION).

  • Para usuários de Ozempic (foco em diabetes tipo 2), o risco de perda súbita de visão foi calculado em 4 vezes maior comparado a outros tratamentos.

  • A NAION é uma condição rara, frequentemente chamada de “infarto do olho”, que resulta em perda de visão indolor e geralmente irreversível devido à interrupção do fluxo sanguíneo no nervo óptico.

A pesquisa, baseada em dados de seis anos de registros médicos, analisou mais de 16 mil pacientes. Os resultados indicam uma correlação preocupante entre a administração desses fármacos e o desenvolvimento da Neuropatia Óptica Isquêmica Anterior Não-Arterítica (NAION). Esta condição ocorre quando o fornecimento de sangue ao nervo óptico é subitamente interrompido, causando a morte das células nervosas e a consequente perda da visão, para a qual ainda não existe um tratamento eficaz comprovado.

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A diferença de risco entre Wegovy e Ozempic

Embora ambos os medicamentos utilizem a semaglutida como princípio ativo, o estudo observou variações no nível de risco dependendo da finalidade do uso.

  1. Para obesidade (Wegovy): o risco foi o mais alarmante. Pacientes que utilizavam o medicamento especificamente para perda de peso tiveram uma probabilidade 7,6 vezes maior de diagnóstico de NAION em um período de três anos, quando comparados a pacientes que utilizavam outros métodos de emagrecimento não baseados em agonistas de GLP-1.

  2. Para diabetes (Ozempic): entre os diabéticos, o risco de desenvolver a condição visual foi 4,4 vezes maior do que naqueles tratados com insulinas ou outros medicamentos tradicionais para controle glicêmico.

Por que isso acontece?

Os cientistas ainda buscam entender o mecanismo exato dessa associação. Uma das hipóteses principais é que os receptores de GLP-1 (os mesmos que a semaglutida ativa para reduzir a fome ou controlar o açúcar) também estão presentes no nervo óptico. A estimulação excessiva ou alterações vasculares causadas pelo medicamento poderiam, em teoria, afetar a pressão de perfusão sanguínea no olho.

Outro fator levantado pelos especialistas é a rápida mudança nos níveis de glicose ou na pressão arterial que esses medicamentos promovem. Em alguns casos, ajustes metabólicos muito bruscos podem causar estresse em tecidos vasculares sensíveis, como os que irrigam o nervo óptico.

Recomendações aos pacientes e médicos

Apesar dos dados impactantes, a comunidade médica ressalta que a NAION continua sendo uma condição muito rara. O aumento de “7 vezes” refere-se a um risco relativo; em termos absolutos, a incidência ainda é baixa na população geral.

No entanto, o alerta serve para que médicos e pacientes mantenham uma comunicação estreita, especialmente se o paciente já possuir outros fatores de risco para doenças oculares, como hipertensão ou apneia do sono. O principal sintoma da NAION é a perda visual súbita e indolor em um dos olhos, geralmente percebida logo ao acordar.

“É fundamental que os pacientes que utilizam esses medicamentos e percebam qualquer alteração na visão — como manchas, visão turva ou perda de campo visual — procurem um oftalmologista imediatamente”, orientam os autores do estudo. O objetivo não é suspender o uso de uma ferramenta tão eficaz contra a obesidade e a diabetes, mas garantir que o acompanhamento inclua a saúde ocular como prioridade.