O uso crônico e sem acompanhamento médico de medicamentos inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol, pode acarretar sérios prejuízos nutricionais ao organismo. Um estudo recente, divulgado pela Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo), alerta que a redução drástica da acidez estomacal por períodos prolongados interfere diretamente na absorção de vitaminas e minerais essenciais.
Pesquisa indica que o uso contínuo de omeprazol compromete a absorção de vitamina B12, ferro e magnésio;
Redução da acidez gástrica pode favorecer o crescimento de bactérias nocivas no sistema digestivo;
Especialistas recomendam que o uso do fármaco seja restrito ao tempo prescrito por profissionais de saúde.
Confira também:
O levantamento destaca que a acidez do estômago é fundamental para processar nutrientes específicos. Sem o ambiente ácido adequado, o organismo apresenta dificuldades em metabolizar a vitamina B12, essencial para o sistema nervoso, e minerais como o cálcio, o que eleva o risco de fraturas ósseas em idosos.
Além das carências nutricionais, os pesquisadores da USP (Universidade de São Paulo) apontam que a alteração do pH gástrico modifica a microbiota intestinal. Essa desregulação, conhecida como disbiose, pode levar a infecções recorrentes e processos inflamatórios crônicos.
A prática da automedicação é apontada como um dos principais agravantes, já que muitos pacientes utilizam o medicamento para aliviar desconfortos digestivos pontuais sem tratar a causa base do problema. Por meio de análises clínicas, o estudo reforça a necessidade de protocolos mais rígidos para a prescrição de protetores gástricos, priorizando intervenções na dieta e no estilo de vida.
A deficiência de vitamina B12
A vitamina B12, ou cobalamina, é um nutriente essencial para a formação das células sanguíneas e para a manutenção do sistema nervoso central. Quando os níveis estão baixos — condição que pode ser agravada pelo uso de medicamentos como o omeprazol —, o organismo emite sinais que variam de cansaço extremo a danos neurológicos severos.
Os sintomas costumam surgir de forma gradual, o que dificulta o diagnóstico precoce. No sistema nervoso, a falta de B12 compromete a bainha de mielina, a camada protetora dos nervos. Isso resulta em neuropatias que se manifestam por meio de fraqueza muscular e, em casos avançados, dificuldades na marcha.
No campo hematológico, a carência impede a divisão correta dos glóbulos vermelhos, que se tornam grandes e imaturos. Esse quadro de anemia impede o transporte eficiente de oxigênio pelo corpo, gerando tonturas e palpitações cardíacas. Por meio de exames de sangue regulares, é possível monitorar os níveis séricos e evitar o agravamento do quadro.
Instituições como a USP reforçam que a absorção desse nutriente depende de uma proteína produzida no estômago chamada fator intrínseco. Como o uso de protetores gástricos altera o ambiente estomacal, a produção dessa proteína é prejudicada, tornando a suplementação necessária em muitos casos sob orientação médica.