Exercícios cerebrais simples reduzem risco de demência em 25%, diz estudo

O efeito protetor foi observado em idosos que mantiveram o hábito de desafiar o cérebro regularmente

Homem joga sudoku, atividade que ajuda a prevenir a demência
Foto: Freepik

Manter a mente afiada pode ser tão simples quanto completar um jogo de palavras-cruzadas ou disputar uma partida de xadrez. Um estudo recente, destacado pela ScienceAlert, traz uma notícia encorajadora para quem busca envelhecer com saúde: exercícios cerebrais simples podem reduzir o risco de desenvolver demência em até 25%.

A pesquisa acompanhou milhares de idosos e concluiu que aqueles que se envolvem frequentemente em atividades de estímulo intelectual apresentam uma proteção significativa contra o declínio cognitivo. O dado é especialmente relevante em um mundo onde os casos de Alzheimer e outras formas de demência estão em ascensão.

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Reserva cognitiva: o escudo do cérebro

O segredo por trás dessa redução de risco reside no conceito de reserva cognitiva. Ao desafiar o cérebro com novas informações, lógica ou estratégias, o indivíduo fortalece as redes neurais existentes e cria novas conexões.

“O cérebro funciona como um músculo: se você não o usa, ele atrofia. Atividades que exigem foco e raciocínio ajudam o órgão a compensar danos que poderiam levar à demência”, explicam os pesquisadores.

Quais atividades funcionam melhor?

O estudo não aponta apenas para jogos complexos. A eficácia foi notada em uma variedade de atividades acessíveis:

  • Jogos de tabuleiro e cartas: estimulam o raciocínio estratégico e a interação social.

  • Palavras-cruzadas e sudoku: trabalham a memória semântica e a lógica.

  • Leitura e escrita: mantêm o processamento de linguagem e a criatividade ativos.

  • Aprender novas habilidades: tocar um instrumento ou estudar um novo idioma são considerados os “treinos de alta intensidade” para os neurônios.

Prevenção ao alcance de todos

O mais importante, segundo os autores, é a consistência. Não é necessário dedicar horas a fio; pequenos períodos de estímulo diário já são suficientes para colher os benefícios a longo prazo. Além disso, a combinação de estímulo mental com uma dieta equilibrada e exercícios físicos cria uma barreira ainda mais robusta contra doenças neurodegenerativas.

Em um momento em que a medicina ainda busca a cura definitiva para o Alzheimer, a ciência reforça que a prevenção através do estilo de vida continua sendo a ferramenta mais eficaz para garantir uma mente lúcida e independente na terceira idade.


Atividades e benefícios cognitivos

AtividadePrincipal BenefícioSugestão de Tempo
Palavras-CruzadasMemória e Vocabulário15 min / dia
Jogos de TabuleiroEstratégia e Socialização1x por semana
Leitura de LivrosConcentração e Linguagem20 min / dia
Sudoku / LógicaRaciocínio Matemático10 min / dia

5 aplicativos de treinamento cerebral validados pela ciência

Na era digital, o seu smartphone pode ser mais do que uma ferramenta de distração; ele pode se tornar uma academia para o seu cérebro. Estudos recentes mostram que a neuroplasticidade — a capacidade do cérebro de se reorganizar e criar novas conexões — pode ser estimulada por meio de jogos que desafiam a memória, a atenção e a velocidade de processamento.

Abaixo, selecionamos os aplicativos mais respeitados por neurocientistas e que oferecem planos de treinamento personalizados.


1. Lumosity

Utilizado por mais de 100 milhões de pessoas, o Lumosity foi desenvolvido por uma equipe de cientistas da Universidade de Stanford. O diferencial é que ele transforma tarefas de laboratório em jogos divertidos.

  • Foco: memória, atenção, flexibilidade cognitiva e velocidade de processamento.

  • Como funciona: o app cria um “Índice de Desempenho LRP” para comparar seus resultados com pessoas da mesma faixa etária.

2. Peak

O Peak foi projetado com a colaboração de pesquisadores da Universidade de Cambridge e da Universidade de Nova York. Ele oferece treinos curtos e intensos, ideais para quem tem pouco tempo.

  • Foco: linguagem, raciocínio lógico, agilidade mental e controle emocional.

  • Destaque: possui o “Coach”, um assistente virtual que monitora seu progresso e sugere novos desafios para evitar que você caia na zona de conforto.

3. Elevate

Diferente dos outros, o Elevate foca em habilidades cognitivas aplicadas ao dia a dia profissional e educacional. Ele foi eleito o “App do Ano” pela Apple devido à sua interface limpa e eficácia.

  • Foco: leitura rápida, escrita, conversão de medidas, oratória e compreensão auditiva.

  • Vantagem: ótimo para manter a mente afiada para o trabalho e tomada de decisão rápida.

4. CogniFit

O CogniFit é frequentemente utilizado em estudos clínicos para avaliar o declínio cognitivo em idosos. Ele começa com um teste de avaliação para mapear seus pontos fortes e fracos antes de sugerir os jogos.

  • Foco: percepção espacial, memória de curto prazo, coordenação motora e planejamento.

  • Destaque: permite monitorar riscos de condições como TDAH e dislexia através da análise de padrões de resposta.

5. NeuroNation

Premiado pelo Ministério da Saúde da Alemanha, este aplicativo foca no fortalecimento da reserva cognitiva para combater o envelhecimento precoce do cérebro.

  • Foco: concentração, memória de trabalho e inteligência fluida.

  • Como funciona: Oferece análises detalhadas sobre quais áreas do seu cérebro estão sendo “fortalecidas” em cada sessão.


3 dicas de ouro para o seu treino cerebral

1. A regra dos 15 minutos: não adianta treinar 3 horas uma vez por semana. O benefício vem da consistência. Quinze minutos diários são mais eficazes que treinos longos e esporádicos.

2. Fuja da facilidade: assim que um jogo se tornar fácil demais, mude o nível de dificuldade ou troque de jogo. O cérebro só se desenvolve quando é tirado do “piloto automático”.

3. Combine com ‘treino offline’: use os apps como complemento. Atividades como leitura de livros físicos, interação social presencial e exercícios físicos aeróbicos potencializam os efeitos do treinamento digital.