Surto de doença de Chagas no Pará acende alerta para consumo de açaí sem procedência

Casos suspeitos avançam no Pará, com quatro mortes confirmadas em janeiro; contaminação por açaí sem controle sanitário está sob investigação

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Foto: Envato

O estado do Pará enfrenta um novo alerta sanitário após o avanço de casos suspeitos e confirmados de doença de Chagas associados ao consumo de açaí. De acordo com as autoridades de saúde, 45 casos suspeitos estão em investigação. O município de Ananindeua confirmou quatro mortes em janeiro de 2026 relacionadas à forma aguda da doença, superando o total registrado nos últimos anos.

A principal suspeita é a transmissão oral, hoje considerada a forma predominante nos surtos registrados na região amazônica. Ela ocorre quando o açaí é contaminado pelo Trypanosoma cruzi, parasita causador da doença de Chagas. Essa contaminação pode acontecer durante a colheita ou o processamento do fruto, especialmente quando há contato com o inseto barbeiro ou suas fezes, em ambientes sem higiene adequada.

Diferente da forma clássica da doença, transmitida pela picada do inseto, a transmissão oral tende a ser mais grave, com sintomas como febre persistente, dor abdominal, vômitos, inchaço e, em alguns casos, complicações cardíacas agudas, que podem levar à morte.

As autoridades reforçam que o surto está regionalmente concentrado e sob monitoramento, mas o episódio reacende o alerta sobre a importância de cuidados rigorosos com a procedência e o preparo do alimento.

Como se prevenir

  • Consumir apenas açaí de estabelecimentos regularizados;
  • Verificar se o produto passou pelo processo de branqueamento térmico;
  • Evitar consumo de açaí artesanal sem controle sanitário;
  • Desconfiar de produtos sem refrigeração adequada ou origem conhecida.

A orientação dos órgãos de saúde é clara: o açaí é seguro quando produzido dentro das normas sanitárias, mas o consumo de produtos sem fiscalização representa risco à saúde.

Além do açaí, o consumo de outros alimentos artesanais, como bacaba e caldo de cana, também já foi associado a surtos de transmissão oral da doença de Chagas, reforçando a importância de atenção à origem e às condições sanitárias dos produtos consumidos.