A cantora Ana Castela contou aos seus seguidores que recebeu um diagnóstico relacionado ao transtorno de déficit de atenção após passar por avaliação médica. A artista, de 22 anos, vinha relatando sintomas e aguardava o resultado de uma consulta para confirmar a suspeita.
Antes do atendimento, ela comentou sobre a expectativa em relação ao diagnóstico. “E hoje eu vou saber se tenho TDAH ou não. É certeza [que eu tenho]. Mas hoje vou ter a certeza 100% em um papel. Tô fazendo essa consulta só para saber se tenho, porque tenho muitos sintomas que são fortes”. A cantora também mencionou o receio sobre o resultado: “Estou com medo de não sair só com TDAH, sair uma lista enorme, cheia de coisa. Mas eu acho que não. Oremos”.
Após a consulta, a artista relatou o que ouviu dos profissionais. “Acabei de sair da consulta. Minha vida agora fez sentido. Agora eu entendi tudo. Vou ter que passar na neuropsicóloga. Agora, sim, a vida é linda, agora, sim, a vida é bela. Tudo que eu faço é TDA. O H do TDAH eu não tenho, só tenho o A”.
Em entrevista à IstoÉ, a psicóloga Kênia Ramos, do Grupo Mantevida, explicou que, na classificação diagnóstica atual, o transtorno não é oficialmente dividido entre TDA e TDAH, como muitas pessoas costumam mencionar no cotidiano.
“Hoje utilizamos o termo Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) para todos os casos. O que varia é a forma de apresentação dos sintomas. A literatura descreve três apresentações principais: predominantemente desatenta, predominantemente hiperativa-impulsiva e a apresentação combinada”, explica.
De acordo com a especialista, quando alguém afirma ter “TDA sem hiperatividade”, geralmente está se referindo à apresentação predominantemente desatenta. “Nesse perfil, as principais dificuldades costumam estar relacionadas à manutenção da atenção, à organização e ao gerenciamento do tempo. São frequentes relatos de distração durante tarefas, esquecimentos recorrentes e maior dificuldade em concluir atividades”, afirma.
Kênia Ramos destaca que o Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade é classificado como um transtorno do neurodesenvolvimento, o que significa que está relacionado ao funcionamento cerebral e pode acompanhar o indivíduo ao longo da vida.
“É importante compreender que não se trata de falta de interesse, preguiça ou ausência de esforço. Existe uma diferença na forma como o cérebro processa estímulos, regula a atenção e organiza prioridades. Por isso, muitas pessoas relatam que sempre enfrentaram determinadas dificuldades, mas só passam a compreender melhor a origem delas após um diagnóstico”, explica.
A psicóloga também ressalta que a confirmação do quadro exige uma avaliação criteriosa e multidimensional. “O diagnóstico é essencialmente clínico e considera o histórico de desenvolvimento, a presença e persistência dos sintomas ao longo do tempo e o impacto funcional na vida acadêmica, profissional e social. Em muitos casos, a avaliação neuropsicológica contribui para identificar padrões relacionados à atenção, memória, funções executivas e organização”, pontua.
Segundo a especialista, o acompanhamento pode envolver diferentes estratégias de cuidado. “O tratamento costuma incluir psicoterapia, psicoeducação e o desenvolvimento de estratégias práticas de organização e manejo da rotina. Em alguns casos, também pode haver avaliação médica para definição de outras abordagens terapêuticas. O objetivo não é rotular a pessoa, mas ampliar a compreensão sobre seu funcionamento e oferecer ferramentas que favoreçam mais qualidade de vida e autonomia no dia a dia”, conclui a especialista.