O envelhecimento da população brasileira traz consigo o desafio da gestão de doenças crônicas, que muitas vezes exigem regimes terapêuticos complexos. Para mitigar riscos de erros e esquecimentos em idosos, pesquisadores do Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da USP, em São Carlos, desenvolveram um dispositivo inteligente que não apenas lembra o paciente da hora da dose, mas monitora a efetiva ingestão do medicamento.
O sistema, apoiado por meio de pesquisas financiadas pela Fapesp, utiliza sensores de movimento e algoritmos de aprendizado de máquina. Diferente de alarmes convencionais, a tecnologia consegue distinguir quando o idoso apenas manipulou o frasco e quando ele, de fato, realizou o movimento de levar o remédio à boca.
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Autonomia e segurança
A falha na adesão ao tratamento é uma das principais causas de complicações de saúde e internações evitáveis na terceira idade. Segundo os desenvolvedores, o dispositivo foi projetado para ser intuitivo e de baixo custo, facilitando sua futura integração ao mercado.
“O objetivo é oferecer uma camada extra de segurança tanto para o idoso, que mantém sua autonomia, quanto para a família, que pode acompanhar o processo remotamente”, destacam os especialistas vinculados ao projeto. Se o sistema detectar que a medicação não foi tomada após os alertas sonoros e visuais, uma notificação é enviada automaticamente para o smartphone do cuidador.
Inteligência artificial no cuidado
O diferencial do projeto está no uso de redes neurais que processam os dados dos sensores em tempo real. Essa abordagem reduz significativamente os “falsos positivos”, garantindo que a vigilância seja precisa. Além do monitoramento de remédios, os pesquisadores estudam a expansão da plataforma para detectar quedas ou alterações bruscas na rotina do usuário, tornando-o um hub central de assistência tecnológica domiciliar.
Como funciona

O dispositivo desenvolvido pelo ICMC-USP vai além de um despertador comum. O sistema integra hardware e software para garantir a segurança do paciente.
Sensores de Movimento: O sistema utiliza acelerômetros e giroscópios acoplados ao porta-comprimidos ou ao pulso do idoso para mapear padrões de deslocamento.
Inteligência Artificial: Por meio de algoritmos de machine learning, o dispositivo diferencia movimentos cotidianos (como beber água ou coçar o rosto) do gesto específico de ingestão do medicamento.
Alertas Progressivos: 1. Visual e Sonoro: O dispositivo emite luzes e bips no horário agendado. 2. Confirmação: O sensor valida a ingestão. 3. Notificação Remota: Caso a ação não seja detectada em um intervalo determinado, o sistema envia um alerta via aplicativo para o celular do cuidador ou familiar.
Histórico Digital: O sistema gera relatórios semanais sobre a adesão ao tratamento, dados que podem ser compartilhados com médicos para ajuste de terapias.
Destaque: O foco do projeto é o baixo custo de produção, visando a viabilidade de implementação tanto no setor privado quanto na rede pública de saúde.