Yasmin Brunet, 37 anos, usou as redes sociais para relatar a transformação corporal alcançada após iniciar o tratamento para lipedema. A modelo revelou ter eliminado cerca de 15 kg ao longo do processo e chamou a atenção ao compartilhar imagens de antes e depois, que evidenciam mudanças que vão além da perda de peso.
Relato pessoal: a modelo compartilhou a evolução do seu corpo após o diagnóstico de lipedema, eliminando 15 kg.
Mudança de hábitos: o tratamento incluiu a retirada do glúten, reeducação alimentar e exercícios, reduzindo a gordura corporal de 70 kg para 55 kg.
O que é a doença: o cirurgião vascular Dr. Herik Oliveira explica que o lipedema é uma inflamação crônica que causa acúmulo desproporcional de gordura.
Sinal de alerta: uma característica clínica fundamental para o diagnóstico é a preservação dos pés, que não acumulam gordura mesmo com o inchaço das pernas.
Nas publicações, Yasmin ressaltou que a evolução não se resume às medidas, mas também à melhora significativa na aparência da pele. “Não é só a largura, é a qualidade da pele. O lipedema deixa a pele bem ondulada. Essa lateral é muito típica da doença”, afirmou ao comentar as fotos comparativas.
Segundo a modelo, a primeira mudança decisiva foi a retirada do glúten da alimentação. Com acompanhamento médico, ajustes nos hábitos alimentares e a prática regular de exercícios, ela passou de 70 kg para 55 kg, reduziu mais de 14% de gordura corporal e preservou a maior parte da massa magra, com perda de apenas 1 kg desse tecido durante todo o processo.
Além de dividir os resultados pessoais, a ex-BBB aproveitou a visibilidade para incentivar outras mulheres a buscarem diagnóstico e tratamento adequados para o lipedema, condição ainda pouco conhecida e frequentemente confundida com sobrepeso ou obesidade.
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Em entrevista à IstoÉ, o cirurgião vascular Dr. Herik Oliveira explicou que o lipedema é uma doença crônica caracterizada pelo acúmulo anormal de gordura em regiões específicas do corpo, principalmente quadris, coxas e pernas, podendo também atingir os braços. “Esse acúmulo provoca dor, sensação de peso, sensibilidade aumentada ao toque e surgimento de manchas roxas”, detalha.
De acordo com o especialista, um dos principais sinais que diferenciam o lipedema de outras condições é a preservação dos pés. “Mesmo quando há inchaço nas pernas, os pés permanecem livres de gordura. Essa é uma das características clínicas mais importantes para o diagnóstico”, destaca.
O médico ressalta ainda que os impactos da doença não se limitam ao aspecto físico. “Muitas pacientes chegam ao consultório com a autoestima abalada após anos tentando emagrecer sem entender por que o corpo não responde às dietas ou aos exercícios. O diagnóstico traz alívio, pois confirma que o problema é real e tem tratamento”, afirma.
Entre os sintomas mais comuns estão o acúmulo desproporcional de gordura nos membros inferiores — que pode atingir também os braços —, inchaço que tende a piorar ao longo do dia, dor ao toque, sensação de peso nas pernas, além de celulite intensa, flacidez e aparecimento espontâneo de manchas roxas.
“O lipedema tem origem inflamatória e está associado à ação dos hormônios femininos. Por isso, costuma surgir ou se agravar em fases de oscilação hormonal, como puberdade, gestação e menopausa”, completa o Dr. Herik Oliveira.
Tipos de lipedema
A classificação do lipedema varia conforme as regiões do corpo afetadas:
Tipo I: acomete quadril e nádegas.
Tipo II: estende-se até os joelhos.
Tipo III: vai do quadril até os tornozelos, com preservação dos pés.
Tipo IV: inclui também os braços.
Tipo V: mais raro, afeta principalmente joelhos e panturrilhas.
Tratamento multidisciplinar
Embora não tenha cura, o lipedema pode ser controlado com uma abordagem multidisciplinar. O tratamento envolve acompanhamento com cirurgião vascular, endocrinologista, nutrólogo, nutricionista, fisioterapeuta e educador físico.
Entre as principais estratégias estão drenagem linfática manual, fisioterapia vascular com exercícios específicos, reeducação alimentar com foco anti-inflamatório, uso de meias de compressão e, em casos mais avançados, lipoaspiração especializada.
“Nem toda paciente precisa de cirurgia. Quando indicada, ela deve ser realizada por profissionais experientes, com o objetivo de remover a gordura doente e preservar o sistema linfático”, orienta o especialista.
Por fim, o médico reforça que o sucesso do tratamento depende da continuidade dos cuidados. “É um processo de longo prazo, mas com diagnóstico correto, equipe adequada e mudanças consistentes no estilo de vida, é possível aliviar os sintomas e recuperar a autoestima”, conclui.